O espaço entre Liam e eu sempre foi construído sobre honestidade. Compartilhávamos tudo – ansiedades, sonhos, chás favoritos. Mas isso… isso era diferente. Uma parte de mim que eu guardava desde que tinha quinze anos, com medo de julgamentos, com medo de ser vista como *demais*. Não era sobre a dança em si, embora as pessoas chamem a dança do ventre de “sexual” e “desrespeitosa”. Era sobre a liberdade que ela me dava, a maneira como a música fluía através de mim. E eu temia que a inocência de Liam entrasse em conflito com o fogo que ela acendia em mim.
Liam estava desaparecido há semanas, em turnê, e o silêncio da casa começou a doer. Uma noite, o tédio me empurrou em direção à familiar atração do estúdio no andar de cima. Puxei um top esportivo e leggings, o tecido fresco como uma segunda pele reconfortante. Descendo as escadas, coloquei “Hips Don’t Lie” de Shakira para tocar. O baixo vibrava no meu peito quando a música começou, e deixei meus quadris seguirem.
*I’m on tonight, my hips don’t lie*
*And I’m starting to feel you boy*
O ritmo tomou conta de mim. Cada balanço, cada ondulação, era uma conversa entre meu corpo e a música. Me perdi no movimento, no calor que aumentava a cada pulso da batida.
*Come on let’s go, real slow*
*Baby, like this is perfecto*
Eu não ouvi a porta abrir. A música me consumiu, e eu me perdi na alegria da dança. Quando a música terminou, eu estava sem fôlego, sorrindo para a memória muscular que ainda fluía através de mim. Levantei os olhos, e lá estava ele.
Liam estava parado na porta, os olhos arregalados, a mandíbula caída. Uma onda de calor me queimou as bochechas. *Pegada.*
“Uh… E-eu posso explicar, L-Liam”, gaguejei, minha voz falhando na garganta.
Ele não disse nada por um momento, apenas ficou olhando. Então, um sorriso lento se espalhou pelo seu rosto. “Babe, por que você não me contou que sabia dançar assim… incrivelmente?” Seus olhos encontraram os meus, ainda arregalados de admiração.
Eu abaixei a cabeça, a vergonha formigando na minha pele. “Eu não queria que você me julgasse.”
Ele me puxou para um abraço, me segurando com força. “Eu *nunca* te julgaria, meu amor.” Ele beijou minha têmpora, então olhou nos meus olhos. “Além disso”, sussurrou ele, um brilho travesso nos olhos, “isso me excitou.”
“Ah é?” Eu pisquei, sentindo um calor brincalhão subir nas minhas próprias bochechas.
Ele riu, passando a mão pelo cabelo. “Sim. Você poderia… uh… dançar assim de novo para mim?”
Eu gargalhei, já sentindo a música me puxar de volta. Colocando a música para tocar novamente, deixei meus quadris balançarem mais uma vez, sabendo que desta vez eu não estava dançando sozinha. A música pulsou, e os olhos de Liam se fixaram nos meus, um convite silencioso para compartilhar o balanço secreto.