Ecos Desvanecendo

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A dor de agarrar-se era um pulso constante, uma dor surda e persistente que se instalava em profundidade. Mas a ideia de libertação não oferecia consolo, nem um corte limpo. Não era uma solução, apenas uma forma diferente de tormento.

Encontrei você, acredito agora, não por alegria, nem por conexão, mas como um instrutor implacável no currículo de uma lição de vida. Você transformou meu sonho em uma paisagem fraturada de pesadelos e assistiu ao meu mundo se estilhaçar ao meu redor com indiferença arrepiante.

Aqui estou eu, afogando-me no rio de minhas próprias lágrimas, encharcado com o sal da perda. E lá estava você, alheio, imerso no calor do abraço de outra pessoa.

Questões floresceram na escuridão, insistentes e sem resposta. Busquei resolução, um vislumbre de compreensão, mas encontrei apenas silêncio. Guardei você dentro do santuário do meu coração, protegido e acarinhado. Mas você me expulsou, descartado como um brinquedo quebrado, como se eu nunca tivesse sido tecido no tecido de sua existência.

Você falou de amor, e eu, tola, acreditei. Construí meu mundo em torno da promessa de sua devoção, apenas para descobrir que era uma ilusão. Não havia emoção genuína, nem ternura recíproca. Foi um toque fantasma, um espectro de afeto.

Agora, ofereço-lhe este gesto final – a concessão de seu desejo. Eu te libero, esperando que sem mim, você encontre a felicidade que parece ansiar. Deixe sua vida se desenrolar sem o peso de minha memória, sem a sombra de minha devoção.

evanesce

(pronunciado ee-van-ess)

Desaparecer de vista, desvanecer-se na memória, deixar de existir. A própria palavra parece um suspiro, um sussurro do que está perdido.

É curioso, essa preferência por ‘Eva’. Meu nome de batismo, o que está gravado em documentos oficiais – Y/n – parece estrangeiro, distante. Foi uma série de televisão, um vislumbre fugaz de uma personagem, que despertou o desejo. Eu queria *aquele* nome, *aquela* identidade. Uma pequena rebelião contra a tradição, uma briga com minha avó por algo aparentemente insignificante. Ela se recusou a me deixar mudar legalmente, mas impus meu apelido a todos que me conhecem. Professores, amigos, até estranhos aprenderam a me chamar de Eva. É raro alguém ousar pronunciar meu nome de batismo agora. Parece… errado. Como se estivesse se dirigindo a um estranho com uma intimidade. É Eva que respira, Eva que sente, Eva que se lembra. Y/n é apenas um fantasma em uma certidão de nascimento.