Confissões no Telhado

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Harry pediu comida chinesa naquela noite, resolvendo ir à mercearia sozinho amanhã. Ele voltou para sua varanda, um cobertor enrolado em seus ombros, para jantar enquanto olhava para a torre iluminada e as poucas estrelas visíveis. As luzes da cidade obscureciam o espetáculo celeste, mas até mesmo um punhado de estrelas parecia precioso.

Ele ainda estava sentado ali às 8 da noite quando Louis ligou novamente. Harry deixou o telefone tocar três vezes antes de atender, cuidando para não parecer excessivamente ansioso.

"Oi!" ele respondeu, escondendo sua excitação.

"Oi, uma rápida pergunta – qual é o seu nome?" O stalking anterior de Louis era evidente, mas Harry não podia saber disso ainda.

"Harry Styles." O homem mais jovem respondeu: "Uh, meu nome do meio é Edward." Louis riu, achando charmoso.

"O meu é William. Eu só queria salvar seu número."

"William, eu gosto disso."

"É? Eu nunca tive. Edward é fofo, embora!"

"Para ser honesto, eu só comecei a gostar depois de assistir *Crepúsculo*. Eu tinha uma paixão por Edward Cullen." Harry riu, confessando algo que havia jurado manter em segredo.

"Você não!" Louis exclamou. "Eu sempre fui Team Jacob."

"Jacob é gostoso e tudo mais, mas a parte do vampiro simplesmente me pegou."

"Eu prefiro um vampiro a um lobisomem."

"Sim! Acho que todo mundo prefere."

Os dois continuaram discutindo *Crepúsculo* por um tempo, envergonhados de seus dias de fandom adolescente, mas incapazes de parar. A conversa mudou para o trabalho. Harry admitiu orgulhosamente que conseguiu um emprego no segundo dia em Paris. Louis ficou intrigado com o motivo pelo qual Harry havia se mudado de sua cidade natal, e eles se uniram por serem expatriados ingleses. A conversa diminuiu por volta das 11 da noite, com o cansaço e as manhãs agitadas se aproximando.

"Eu tenho que acordar muito cedo. Eu realmente queria poder conversar mais, Harry! Ei, quer tomar café da manhã juntos?"

"Sim, que horas você costuma chegar lá?"

"Eu chego às seis, mas se você quiser chegar às seis e meia, tudo bem?"

"Não, estarei lá às seis. Boa noite, Louis."

"Boa noite, Harry."

Harry se levantou da varanda, reunindo tudo em uma única viagem. Ele até conseguiu fechar e trancar a porta com seus braços cheios de pertences, uma pequena vitória que o deixou orgulhoso. Louis deitou em sua espreguiçadeira ao ar livre, admirando as estrelas visíveis do telhado. Ele queria conversar com Harry a noite toda, embora não soubesse explicar por quê. Ele ficou desapontado por ter que encerrar a chamada, mas saber que veria Harry pela manhã, e precisando dormir para não parecer exausto, o empurrou de volta para dentro e para a cama, agradecendo silenciosamente a si mesmo por tomar banho e escovar os dentes antes de ligar para Harry.

Louis chegou ao café primeiro, como esperado. Ele observou Harry andar de bicicleta rosa e sorriu enquanto ele entrava. Hoje, eles se sentaram juntos, e Louis se ofereceu para pedir e pagar. Harry aceitou, apenas quando Louis prometeu o café da manhã novamente amanhã, com Harry pagando a conta.

Eles comeram e conversaram entre as mordidas, discutindo seus planos para o dia. "Na verdade, tenho um julgamento hoje. Meu cliente é uma louca, mas pela história que ela me contou, o réu não tem chance." Louis sabia que Harry não perguntaria sobre os detalhes do caso. "Estou na floricultura até as 5 da tarde, então tenho que ir à mercearia." Harry gemeu. "Deixe-me adivinhar, você não gosta de ir à mercearia?" Louis riu, mexendo o chá. "Não é a compra em si, são as filas longas e ter que carregar minhas sacolas até meu apartamento." Louis fez uma pausa: "Eu moro no andar de cima, tenho um apartamento de cobertura. Eu te mostro um dia, as vistas são ótimas!" Ele não se gabava, e Harry não percebia isso. "Sim, adoraria ver. Você consegue ver a torre? Tenho uma vista muito clara e adoro ver o pôr do sol sobre ela."

"Sim, tenho uma ótima vista dela." O homem mais velho sorriu.

Às 7 da noite, Louis teve que ir para o trabalho. Harry tinha uma hora para matar, então se ofereceu para acompanhá-lo até o escritório. "Tem certeza que não vai se atrasar?" Louis perguntou enquanto eles atravessavam a rua. "Eu não preciso estar lá por mais uma hora, Lou." Harry corou, percebendo que o apelido havia escapado. Louis apenas sorriu. "Sabe, ninguém me chamou de Lou há muito tempo. Era só minha mãe que fazia, e ela agora me chama de Louis, na maioria das vezes."

"Eu nem sei de onde saiu, simplesmente escapou." Harry corou mais fundo. "Eu gosto disso. Vou chamar você de Haz."

"Lou e Haz."

"Haz e Lou." Eles sorriram um para o outro, mantendo os sorrisos pelo resto da caminhada.

"São apenas 7:10, quer subir um pouco?" Louis ofereceu. "Sim, claro." Louis segurou a porta para Harry e o seguiu de perto. "Quem é esse?" Georgia encarou Harry de cima a baixo. "Um cliente, você não deveria estar na escola?" Louis perguntou à garota que tinha uma semelhança com ele em certos aspectos. "Temos uma prova hoje e não começamos até as 9. Estou apenas pegando um dos retratos do papai para a mamãe. Ela quer pendurá-lo acima da lareira porque eles adoravam sentar perto do fogo juntos." Georgia sorriu fracamente. O coração de Louis se apertou um pouco. "Ah, certo, sim." Ele murmurou. "Eleanor está me pegando daqui às 8 se você quiser ir lá embaixo e falar com ela?" Louis deu de ombros. "Diga a ela que eu disse oi." A expressão de Georgia era de puro choque. "Só oi?" Louis assentiu, então gesticulou para Harry segui-lo.

"Desculpe por isso", Louis se desculpou. "Georgia é minha irmã meio-irmã. Nós compartilhamos o mesmo pai, ela é uma dor de cabeça às vezes." Louis riu. "Eu tenho uma irmã mais velha, e nós definitivamente tivemos algumas brigas crescendo." Harry deu de ombros. "Então, quem é Eleanor?" Louis se virou para enfrentá-lo quando eles entraram em seu escritório, ostentando uma vista deslumbrante. "Minha namorada de idas e vindas. Atualmente estamos juntos, mas logo estaremos separados. Ela está vendo outros caras, com minha permissão. Eu simplesmente não sinto mais nada por ela." Louis olhou diretamente nos olhos de Harry quando disse isso, e o coração de Harry disparou, embora não tivesse certeza se Louis pretendia aquele olhar para ele. Ele esperava que sim.

"O julgamento começa às 10 e, com um pouco de sorte, terminará hoje à tarde. Eu não tenho nada agendado depois porque você nunca sabe quanto tempo uma audiência vai durar. Se eu voltar a tempo, posso encontrá-lo no trabalho e podemos ir à mercearia juntos?" Louis perguntou, querendo passar mais tempo com Harry. "Sim, eu gostaria disso."

"Eu também."

Harry saiu do escritório às 7:30 e pegou sua bicicleta, andando para casa caso ele e Louis se vissem naquela noite. Ele chegou ao trabalho dez minutos antes e ajudou Colette a abrir a loja e arrumar as flores. Harry sugeriu colocar vasos de flores pela porta para atrair atenção, e felizmente, funcionou. Colette o deixou no comando enquanto ela cuidava da transferência bancária para seu pagamento semanal, um processo que Harry ficou feliz em ajudar. Ele ajudou os clientes ao longo da manhã.

Louis pegou um Uber para o tribunal, incapaz de tirar Harry de sua mente. Ele precisava se concentrar, mas Harry era mais interessante do que um caso de roubo. Sua cliente ligou durante o trajeto e eles revisaram a história. Louis estava confiante em vencer, mas a ansiedade sempre aparecia. Ele estava defendendo o dono da loja, e pressionar acusações contra os adolescentes ladrões não deveria ser difícil. Mas tudo em que ele conseguia pensar era no homem de cabelos cacheados com uma bunda gostosa.

Harry notou Louis correndo às 4h52 enquanto ajudava o último cliente do dia a escolher um buquê para sua irmã. "Eu corri aqui. Não achei que ia conseguir." Louis riu, ainda sem fôlego. Harry sorriu para ele. "Eu vi. Seu cabelo voando ao vento fica lindo em você." E ele disse isso em voz alta? Pelo rubor nas bochechas de Louis, sim, ele disse. "Obrigado." Louis sorriu. "Eu só tenho que colocar o resto dessas flores na sala fria, então posso sair."

"Precisa de ajuda?"

"Não, não, você pode sentar ali se quiser? Não vai demorar."

"Deixe-me ajudar." Louis riu, pegando algumas flores e colocando-as em um carrinho para Harry levar de volta à sala fria. Colette trancou as portas e baixou as persianas. Às 5 da tarde, todos três estavam seguindo caminhos separados: Colette para casa, e Harry e Louis para a mercearia.

"Ei, onde está sua bicicleta?" Louis perguntou, notando sua ausência. "Eu a trouxe para casa esta manhã." Harry respondeu. "Como foi o julgamento?"

"Nós ganhamos."

"Parabéns!"

"Obrigado." Louis riu. "Foi apenas um caso pequeno."

Suas mãos se tocaram enquanto caminhavam, e nenhum dos dois se moveu para quebrar o contato. Ambos gostavam da suavidade da pele um do outro.

Eles entraram na mercearia, e Harry pegou um carrinho. "Tipo, o que você precisa?" Louis perguntou. "Um pouco de tudo." Harry gemeu. "Posso andar no carrinho?" Louis sorriu, maliciosamente. "Se eu puder te comer." Harry fez uma pausa, percebendo suas palavras. Louis explodiu em risadas. "Quer dizer, eu não vou dizer não." Ele disse entre as risadas. "Cala a boca e entra no carrinho." Harry riu de sua própria tolice, grato por Louis estar tão relaxado e não zombar de seus deslizes verbais.

"Você sabe cozinhar?" Louis perguntou, observando os mantimentos que Harry colocava no carrinho. "Sim, meio que." Harry encolheu os ombros. "Cozinhe para mim esta noite?" Louis perguntou. "Eu te pago da próxima vez." O homem no carrinho olhou para cima e sorriu para Harry. "Por favor, legumes no acompanhamento?"

"Claro."

"Me levante, por favor. Você termine de pegar o que precisa e eu vou atravessar a rua para pegar uma garrafa de vinho para nós dois."

"Aw, você não consegue sair?" Harry provocou. "Cala a boca." Louis retrucou, deixando Harry o abaixar. "Eu vou te encontrar aqui, tudo bem?"

"Tudo bem, devo pegar uma sobremesa?"

"Claro que deve, sobremesa é sempre sim."

Eles se encontraram enquanto Harry estava na fila, acenando como um completo idiota para o homem que o procurava. "Você tem taças de vinho ainda?" Louis perguntou, colocando a garrafa no assento infantil do carrinho. "Eu tenho canecas?" Harry riu. "Serve." Louis deu de ombros. "Tem o mesmo gosto." Eles colocaram os itens no balcão para serem pagos, e enquanto Harry estava pagando, Louis pegou as sacolas, então Harry pegou o resto, empurrando seu carrinho para o lado. "Estou realmente animado para experimentar sua culinária." Louis admitiu enquanto eles se aproximavam do complexo de Harry. "Eu me saio bem, não sou um chef ou algo assim, então não crie expectativas."

"Tenho certeza de que você é ótimo."

"Este é seu complexo?" Louis perguntou, sorrindo de orelha a orelha. "Sim?" Harry perguntou, confuso. "É meu também." O homem mais velho riu. "Não acredito!" Harry riu. "Isso significa que você pode ficar mais tempo hoje à noite." E Louis assentiu, concordando com Harry.