O Último Dia

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Kalem: Não… de jeito nenhum. Já acabou o verão?

O pensamento pareceu um soco no estômago. A escola amanhã significava o inevitável – as provocações, os empurrões, o bullying brutal, tudo começando de novo. Justo o que eu preciso.

A luz do sol entrava pela janela, um lembrete cruel do último dia bom de liberdade. Joguei os cobertores para o lado e fui direto para o banheiro.

Olhando no espelho, tracei as contusões que estavam desaparecendo na minha pele, dos ataques do ano passado. Uma expectativa sombria se instalou. Este ano seria pior, eles garantiriam isso.

Escovei os dentes e entrei no chuveiro, deixando a água correr sobre mim. Morar sozinho significava que eu não tinha que esconder nada, não precisava cobrir as cicatrizes.

A pergunta sempre pairava: Onde estão meus pais? Eles permaneciam na Casa do Pack, enquanto eu era relegado a este apartamento alugado.

Lembrei-me do dia em que eles assistiram um Beta do nosso pack me espancar, me deixando inconsciente. O medo pela minha segurança os havia levado a me mudar para aqui, na esperança de me proteger da ira do Alpha.

Mas eu não me importo com isso. Eu não tenho que realizar tarefas Omega, não tenho que suportar espancamentos apenas por existir.

Caminhei para a pequena cozinha, desejando algo simples para o café da manhã. Cereais e café preto seriam suficientes.

“Você precisa comer mais”, meu lobo, Silvio, resmungou na minha mente. “Você já está abaixo do peso. Você precisa de energia para o dia.”

“Eu sei, eu sei”, suspirei. “Você não precisa me lembrar disso todos os dias.”

Silvio podia ser irritantemente persistente. Sentei-me à mesa e comecei a comer, quando meu telefone vibrou. Atendi sem verificar o identificador de chamadas.

“Kalem falando”, disse eu.

“Oi, querido! Como você está? Sinto sua falta, sabe? Você deveria nos ligar mais.” A voz do meu pai, calorosa e familiar, preencheu a linha.

“Oi, Pai. Estou bem, como sempre. Como você está? Como a… como a Mãe está?” perguntei, um nó se formando no estômago. Minha mãe havia começado a ressentir-me depois que assumi ser gay.

Mesmo antes da minha orientação, ela sempre me ressentiu por ser um Omega em uma família Beta. Mas o ódio se intensificou quando descobriu que eu preferia homens. Ela nem sequer interveio quando os atletas da escola me espancaram, fechando os olhos para meu sofrimento.

“A Mãe está bem. Estávamos conversando sobre você ontem, e… ela sente muito sua falta, Kalem.” Meu coração se apertou. “Ela quer te ver.” Um lampejo de memória – sua bondade quando eu era mais jovem, antes que meu status Omega importasse – apertou minha garganta.

“Mãe… ela realmente quer me ver?”

“Sim. Queremos comemorar seu décimo oitavo aniversário com você. Sabemos que você encontrará um companheiro em breve, e seu cio virá. Estou preocupado com você. Por favor, seja apenas cuidadoso, ok? Prometa-me.” Lágrimas se formaram em meus olhos, mas eu as forcei a voltar. Eu não sou um chorão.

“Ok… eu prometo.” Suspirei novamente. Não sei quantas vezes suspirei hoje.

“Ok, filho. Eu tenho que ir. Cuide-se. Encontre-nos na Casa do Pack depois da escola amanhã. Estaremos esperando pelo nosso garoto de aniversário.”

“Tchau, Pai.” Ele desligou.

Bem, que droga. Olhei para meu telefone, o medo se instalando. Eu não quero voltar para a Casa do Pack. Eu não sou bem-vindo lá. Mas não posso decepcionar meus pais. Eu tenho que ir.

“Estou animado para conhecer nosso companheiro”, Silvio disparou.

“Você sabe o que eu penso sobre companheiros”, retruquei.

“Você não pode rejeitá-los! É nosso companheiro, nossa alma gêmea, nossa outra metade! Você não pode simplesmente rejeitá-los porque acha que não é bom o suficiente.”

“Mas quem quer um Omega como companheiro? Eu seria apenas uma vergonha para ele”, sussurrei, lágrimas ardendo em meus olhos pela segunda vez hoje.

Eu cortei a conexão com Silvio, deixando escapar um longo suspiro. Forcei-me a imaginar meu companheiro, então me puxei de volta. Se controle, Kalem. Hoje é o último dia de verão. Não torne tudo ainda mais deprimente.

----------salto temporal-----------

Eu estava vasculhando roupas em meu armário, procurando algo para vestir amanhã. Meu telefone vibrou. Olhei para a tela – um número desconhecido.

Desconhecido. *Estou muito animado para te ver amanhã na escola, precioso omega <3*

O quê…? Meu instinto se revirou. Arrepios percorreram minha pele. Que merda?! Eu gritei internamente. Comecei a tremer de medo.

Como o amanhã pode piorar? Espancamentos dos atletas e agora um stalker? Fantástico.

Então, como foi o primeiro capítulo para vocês? Espero que tenham gostado!