Jonah estava na pia da cozinha, água escorrendo por suas mãos enquanto olhava pela janela, a luz da noite estava desaparecendo, lançando longas sombras pelo quintal, ele estava lá por horas, perdido em pensamentos desde que Leo saiu mais cedo naquele dia..
A figura de ontem à noite, aquela que ele tinha visto do lado de fora de sua janela, estava em sua mente. Um breve vislumbre, uma silhueta contra o luar, mas o suficiente para deixá-lo inquieto. Ele não conseguia abalar a sensação de ser observado, mesmo agora, com a casa quieta e ainda ao redor dele..
Ele desligou a torneira, secou as mãos em uma toalha desbotada, e fez o seu caminho para o seu quarto. As tábuas do chão rangeram sob seus pés, cada passo ecoando no silêncio. Seu diário estava aberto na cama, páginas cheias de datas, horários e memórias fragmentadas das coisas ainda por vir. Ele pegou, folheando as entradas, cada palavra um lembrete do fardo que ele carregava.
A voz de Maya foi hesitante, quase hesitante, ela não estava em casa quando Leo saiu, ela deve ter acabado de voltar..
Ele hesitou antes de abrir a porta. Maya ficou lá, seus olhos refletindo uma mistura de preocupação e curiosidade. "Ei," ela disse suavemente. "Leo me disse o que aconteceu. Você está bem?"
Jonah inclinou-se contra a moldura da porta, braços cruzados. "Estou bem."
Maya levantou a sobrancelha. "Você não parece bem." Ela fez uma pausa e se aproximou. "Posso entrar?"
Maya se mudou para sua mesa, passando um dedo sobre os papéis e notas espalhados. "O que é tudo isso?", ela perguntou, pegando um lençol amassado com uma data marcada e algumas palavras - "Acidente de carro, Maple & Pine."
Jonah encolheu os ombros, tentando agir casualmente.
Maya olhou para ele, seu olhar penetrando. "Jonas, isso parece algum tipo de código ou algo assim." Ela levantou o jornal, sua expressão séria. "O que você está realmente fazendo?"
Ele sentiu uma pontada de culpa, uma torção no estômago, mentir para Maya nunca foi fácil, mas dizer a verdade parecia impossível.
Maya não acreditou, colocou o papel e virou-se para encará-lo completamente. "Jonah, eu te conheço há muito tempo, você pode falar comigo."
Ele encontrou o olhar dela, procurando as palavras certas..
O quarto parecia menor de repente, o ar estava cheio de tensão. Jonah quebrou o silêncio. "Eu... eu vi algo ontem à noite." Ele hesitou, sem saber o quanto revelar. "Havia alguém fora da minha janela."
A expressão de Maya mudou de preocupação para alarme.
"Eu não sei", ele admitiu. "Eu não podia ver o rosto deles, mas eles estavam lá, e parecia... errado."
Maya deu um passo mais perto, sua voz gentil, mas firme. "Jonah, se alguém está lá fora, devemos chamar a polícia."
Ele balançou a cabeça. "Não, não é assim. É... complicado." Ele passou uma mão pelo cabelo, frustração aumentando. "Eu não posso explicar isso agora."
Maya o estudou por um momento antes de balançar devagar. "Ok," ela disse suavemente. "Mas me prometa que você vai ter cuidado. E se você precisar falar, eu estou aqui."
Ela se mudou para sair, mas Jonah a parou com um toque no braço. "Espere." Ele hesitou de novo, então chegou ao bolso de trás e puxou um pequeno cartão branco. Era nítido, imaculado, com apenas um nome e um número de telefone impresso em script elegante: Elias Kane.
Maya pegou o cartão, virando-o em suas mãos, seus dedos traçaram as bordas, sua testa franzida em pensamentos, "Quem é Elias Kane?"
Jonah olhou para ela, sua expressão grave. "Eu acho que ele é parte do que quer que isso seja."
Ela entregou o cartão de volta para ele, seus dedos escovando contra o dele. "Tenha cuidado, Jonah," ela repetiu.
Quando Maya saiu do quarto, sentiu uma estranha mistura de alívio e desconforto. O cartão era uma peça de quebra-cabeça, mas só aprofundou o mistério. Ele sentou-se em sua cama, olhando para o diário na frente dele..
Jonah se jogou em suas tarefas diárias, tentando agir normalmente enquanto sua mente corria com perguntas não respondidas..
Uma noite, ao anoitecer, ele notou algo errado no quintal, uma ligeira perturbação nas sebes bem aparadas, uma sensação de intrusão que picou sua pele, ele pegou uma lanterna e saiu, o ar frio da noite mordendo suas bochechas, o feixe de luz cortou a escuridão, revelando nada fora do lugar..
Ele circulou a casa, sua respiração visível no frio. No canto de trás, ele parou. Um cheiro fraco permaneceu - algo metálico, afiado. Ele agachou-se, passando uma mão sobre a grama de orvalho. Ele saiu úmido e tingido com um grit desconhecido. Seu coração bateu enquanto ele o trazia para mais perto de seus olhos, cintilando na luz fraca. Pequenos pedaços de vidro brilhavam de volta para ele..
Alguém estava aqui, não apenas observando, mas deixando uma marca, um aviso..
Lá dentro, Jonah trancou as portas e dobrou cada trava da janela. Ele ficou lá por um momento, batendo no coração, antes de se retirar para o quarto. Seu diário estava aberto na cama, zombando dele com suas datas bem inscritas e memórias fragmentadas. Ele pegou, arremessando-o pelo quarto em uma explosão de frustração.
Ele andou, com as mãos cerradas ao seu lado, com a mente correndo, os Sentinelas... eles tinham que estar por trás disso, mas por quê?
O olhar dele caiu no cartão no bolso de trás, Elias Kane, um nome que ecoou com poder invisível, ele o puxou para fora, traçando o roteiro elegante com o polegar..
Uma batida na porta dele o assustou. Maya ficou lá, sua expressão preocupada. "Jonah, você está bem?"
Ele respirou fundo, tentando se firmar. "Sim, apenas... pensando."
Maya entrou, fechando a porta atrás dela. "Você parece chateada. O que está acontecendo?"
Ele hesitou, então estendeu o cartão. "São eles, Maya. Eles estavam aqui. Lá fora." Sua voz tremia um pouco..
Ela pegou o cartão, os olhos se alargando enquanto lia o nome, o reconhecimento passou pelo rosto, mas ela não disse nada. "Jonah," ela começou suavemente, "você precisa ter cuidado, quem quer que essas pessoas sejam, eles não estão jogando. "
Ele assentiu, passando a mão pelo cabelo. "Eu sei, mas não posso me esconder, tenho que descobrir o que eles querem."
Maya olhou para ele, sua expressão inescrutável. "E como você planeja fazer isso?"
Jonah encontrou seu olhar, determinação em seus olhos. "Dando-lhes o que eles querem."
Ela franziu a testa, confusão e preocupação gravadas no rosto. "O que quer dizer?"
Ele respirou fundo. "Vou fazer contato.
A expressão de Maya endureceu. "Jonah, não, é muito arriscado."
"Eu tenho que", ele insistiu. "Eu não posso continuar vivendo assim, sempre olhando por cima do meu ombro."
Ela o estudou por um longo momento antes de acenar relutantemente. "Certo, mas me prometa que você será inteligente sobre isso. Não confie neles com muita facilidade."
Ele assentiu, um pequeno sorriso puxando os lábios. "Eu prometo."
No dia seguinte, Jonah dirigiu para o velho moinho, o cartão segurou firmemente em sua mão. O edifício apareceu à frente, suas paredes intemperizadas e telhado apodrecido um contraste gritante com a folhagem de outono vibrante em torno dele. Ele saiu do carro, cada crunch de cascalho sob os pés ecoando no silêncio.
"Jonah Cross", uma voz chamada das sombras. Elias Kane surgiu, seu terno impecável contra o pano de fundo em ruínas. Seus olhos estavam afiados, avaliando. "Estávamos esperando por você."
O aperto de Jonah apertou os bolsos do casaco. "Quem é você? O que você quer?"
Elias sorriu, uma expressão fria que não chegou aos seus olhos. "Nós somos os Vigilantes, Jonah. E queremos ajudá-lo." Ele deu um passo mais perto. "Sua habilidade é rara, poderosa. Podemos protegê-lo, guiá-lo."
A mente de Jonah correu, as lembranças das advertências de Leo ecoando em sua cabeça.
Elias riu suavemente. "A confiança é conquistada, Jonah, mas podemos começar com uma demonstração." Ele fez uma pausa e acrescentou: "Diga-me, você se lembra do sonho que teve ontem à noite?
O sangue de Jonah ficou frio.
Elias continuou, com a voz baixa e firme. "Podemos mostrar-lhe coisas, Jonah. Coisas que ninguém mais pode. Em troca, tudo o que pedimos é a sua cooperação."
Jonah sentiu uma onda de raiva misturada com medo. "Cooperação? Você quer dizer minhas previsões."
Elias assentiu. "Sim, suas visões são valiosas para nós. Juntos, podemos moldar o futuro."
O silêncio se estendia entre eles. A mente de Jonah girava de dúvidas e medos. Ele podia recusar, correr - mas onde isso o deixaria? Sozinho, caçado, sempre olhando por cima do ombro.
Ele respirou fundo, tentando manter a voz firme. "E se eu disser não?"
O sorriso de Elias desapareceu, substituído por uma expressão severa. "Então encontramos outra maneira de acessar sua habilidade. Uma que pode não ser tão agradável para você ou para aqueles próximos a você."
A ameaça era clara: cooperar ou enfrentar as conseqências..
Ele olhou para Elias, sua expressão resoluta. "Vou pensar nisso."
Elias assentiu, um sorriso satisfeito tocando em seus lábios. "Entraremos em contato." Ele se virou e desapareceu nas sombras tão rápido quanto apareceu..
Jonah ficou lá por um momento mais, o cartão segurou firmemente em sua mão. O vento pegou, enferrujando as folhas secas ao seu redor. Ele deu uma última olhada no moinho antes de voltar para seu carro, sua mente já correndo com as implicações do que tinha acabado de acontecer.
Enquanto ele se afastava, ele não conseguia abalar a sensação de que algo estava faltando - um pedaço do quebra-cabeça ainda obscurecido pela estática. Ele olhou no espelho retrovisor, meio esperando ver uma figura seguindo-o, mas havia apenas a estrada vazia por trás.
Em casa, Jonah se trancou em seu quarto, espalhando as páginas de seu diário. Ele adicionou novas notas, circulando frases-chave e datas. Sua mente era um turbilhão de pensamentos, cada um mais inquietante do que o último..
Ele olhou para o relógio em sua parede, o tempo estava se esgotando, os Sentinelas eram reais, seu interesse nele era inegável, e com essa realização veio uma verdade gritante: ele tinha pisado em um caminho do qual não havia como voltar atrás..