A água quente girava ao nosso redor, refletindo as estrelas dispersas acima da varanda de Dick. Uma banheira inflável ridícula, cortesia de Alfred. Mesmo assim, era perfeita.
“Ainda não consigo acreditar que Alfred realmente montou isso,” eu disse, uma risada borbulhando em mim. “Uma banheira inflável? Sério?”
Dick sorriu, apoiando as costas na borda de plástico. “O que posso dizer? Sou o favorito dele.”
Eu lhe mostrei o dedo médio, observando a expressão arrogante em seu rosto vacilar.
“Como ousa,” ele protestou, a mão dramaticamente pressionada contra o peito. “A audácia!”
Ele me puxou antes que eu pudesse retrucar, me atraindo para mais perto até que eu estivesse praticamente sentada de straddle sobre ele, as pernas apoiadas de cada lado. Seus braços serpenteavam ao redor da minha cintura, um movimento lento e deliberado. Não era uma puxada, era uma reivindicação.
“É?” eu provoquei, sabendo exatamente o que ele queria. O calor do corpo dele pressionado contra o meu, as bolhas fazendo cócegas na minha pele.
“Você sabe o que,” ele murmurou, a mão encontrando o caminho para meu quadril.
Um susto surpreso escapou de mim. Eu me virei, encarando os olhos dele, um rubor subindo pelo meu pescoço. O desejo era uma coisa tangível, crepitando entre nós.
Queríamos a mesma coisa, uma urgência compartilhada e não dita.
Minhas mãos encontraram suas bochechas, puxando-o mais perto. Senti o hálito quente dele em meus lábios, provei o leve sal de sua pele. Nós nos encontramos, um beijo lento e deliberado, uma promessa silenciosa de mais. Mas depois de alguns segundos, eu me afastei, um sorriso brincalhão puxando meus lábios. Olhei para as bolhas girando, então de volta para ele, deixando-o saber que eu sentia—a eletricidade, a antecipação.
O vapor que subia ao nosso redor parecia menos vapor de água e mais um segredo compartilhado. Pairava no ar entre nós. Um convite silencioso. A água, quente e suave, parecia vibrar com a mesma energia que corria entre nós, um calor que não vinha da temperatura, mas da proximidade, da tensão que se acumulava. Eu podia sentir o ritmo acelerado do coração dele, quase como se estivesse em sincronia com o meu. O brilho das estrelas refletido na superfície da água parecia dançar com a intensidade do momento, como se o universo inteiro estivesse conspirando para testemunhar aquele encontro. E, no fundo, eu sabia que não era apenas uma banheira inflável, mas um ponto de convergência, um lugar onde as linhas entre o desejo e a realidade se confundiam, onde o vapor e as estrelas se fundiam em um único, inesquecível instante.