Ecos do Vazio

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Jungkook

“Tae…” O som escapou de mim, um apelo fragmentado. Cedi à torrente de lágrimas, deixando-as jorrar sem controle. Meus braços se apertaram ao redor dele, mãos agarrando seu pescoço, rosto pressionado contra seu ombro. Ele se enrijeceu, mas eu me agarrei mais forte, precisando do peso sólido dele.

“Taehyung,” eu soluçava, as palavras se dissolvendo no tecido úmido de sua camisa.

Sua resposta foi inesperada, uma mudança brusca no frágil equilíbrio que havíamos estabelecido. Ele colocou as palmas contra meu peito, me afastando com uma força que roubou meu fôlego. Cambaiei para trás, desorientado, observando suas próprias lágrimas começarem a cair.

“Você me deixou,” ele engasgou, a voz rouca de dor. “Dois anos…e então nada. Você simplesmente desapareceu. E agora…isso?” Seu olhar estava fixo em mim, desesperado, acusador. Desviei meus olhos, a vergonha queimando em meu peito. Eu queria contar tudo a ele—quanto eu senti sua falta, quanto eu me arrependia do silêncio.

“Eu…eu nunca quis te deixar,” eu sussurrei, as palavras quase inaudíveis.

Ele captou, um lampejo de esperança acendendo em seus olhos. “Então por quê? Por que você fez isso? Me diga.” Sua voz rachou, implorando por uma explicação que eu não podia dar. Eu queria gritar a verdade, destruir o silêncio sufocante que nos consumia há tanto tempo.

Para que ele entendesse.

Mas eu sabia que não podia. As consequências eram grandes demais, o dano irreversível.

Mordisquei meu lábio, o gosto de sal se misturando com o sabor metálico do medo. As lágrimas continuaram a escorrer pelo meu rosto, manchando o chão com minha dor.

“Eu não posso.”

Ele zombou, um som desprovido de humor. “Bobagem.” Ele revirou os olhos, a raiva mascarando um desespero mais profundo. Ele enxugou as lágrimas e então se virou, arrastando sua bagagem ao meu lado. Sem uma palavra, subiu as escadas e bateu a porta de um dos quartos, trancando-a atrás de si.

O mundo começou a girar, se fundindo em uma névoa indistinta. Minha visão ficou turva com uma vertigem nauseante. Tentei me firmar, permanecer em pé, mas meus joelhos cederam sob mim. Um grito desesperado rasgou minha garganta, mas minha voz ficou presa no peito, recusando-se a obedecer.

O último pensamento coerente antes que a escuridão me consumisse era uma imagem de Taehyung.

O Taehyung com o sorriso torto e quadrado. O Taehyung que me amava com uma ferocidade que um dia espelhou a minha.

Então, a escuridão. E a sensação de desmoronar, de cair em um abismo sem fundo.