Parte 2 – De Volta a Queens
*Quatro anos depois* Caminhando para casa da escola, ouvi fragmentos de conversas – falavam de um “cara aranha” em Queens salvando pessoas. Deve ser um dos Vingadores, pensei, com um leve toque de curiosidade no peito.
Destranqueei a porta da frente e imediatamente notei minha mãe. Ela ainda estava com a roupa de trabalho, saboreando uma xícara de café, e uma pilha de papéis se espalhava pela mesa da cozinha. Nossos olhares se encontraram, e ela me ofereceu aquele olhar familiar – aquele reservado para anunciar notícias ruins.
“O que aconteceu?” perguntei, me aproximando dela e sentando em uma cadeira.
“Y/N, tenho notícias difíceis,” ela disse, sua voz carregada de cansaço.
“O que é?” perguntei, um nó se formando em meu estômago enquanto me preparava para o que ela estava prestes a dizer. Todos os cenários possíveis passaram pela minha mente.
“Estamos voltando para Queens.”
As palavras me atingiram como um choque físico. Saltei da cadeira, deixando-a de lado. “O QUÊ?”
“Y/N, não tenho escolha,” ela disse, caminhando até a pia para enxaguar sua xícara. “Meu chefe está me transferindo de volta para essa divisão.”
“Mãe, não podemos nos mudar!” exclamei, andando de um lado para o outro com as mãos juntas em frente ao meu corpo. “Meus amigos, minha escola, toda a minha vida está aqui, em Michigan!”
“Y/N, sinto muito,” ela disse suavemente. “Vamos partir em dois dias. Comece a fazer as malas e diga adeus aos seus amigos.” Ela se virou e saiu da sala, me deixando em silêncio atordoado.
Os dois dias seguintes foram um borrão de despedidas chorosas e embalagens frenéticas. No dia em que partimos, coloquei a última caixa, selando-a com fita adesiva. Fiquei no centro do meu quarto, observando o vazio. Memórias inundaram minha mente – noites de acampamento, risadas, segredos sussurrados. Permanecei ali, traçando o contorno do quarto com os olhos, tentando gravá-lo na memória.
“Y/N! Vamos! Não quero me atrasar!” Mãe gritou de baixo.
Peguei a última caixa, dei uma última olhada no meu quarto e saí pela porta, deixando tudo para trás.
*Duas horas depois* Duas horas depois, estávamos de volta a Nova York, uma cidade que não via há quatro anos. Eu e minha mãe saímos do aeroporto e entramos em um táxi, seguindo para nossa nova casa.
O táxi parou em frente a uma casa cinza com guarnições brancas e uma porta marrom.
“Esta é nossa nova casa!” Mãe anunciou ao sairmos do carro.
“Ótimo,” resmunguei sem entusiasmo.
Subimos os degraus, e Mãe tirou uma chave, destrancando a porta. Ao entrar, fiquei surpresa ao ver como o interior era lindo.
“Mãe, esses não são nossos móveis,” disse, boquiaberta de espanto.
“Eu os substituí todos,” ela disse, parecendo satisfeita consigo mesma. “Achei que eles combinavam melhor com a casa.”
“Na verdade, eu gostei muito!” admiti, examinando a casa com crescente interesse.
“Você pode subir para o seu quarto e desfazer as malas um pouco, e escolher suas roupas para amanhã,” Mãe gritou da cozinha.
Eu quase tinha esquecido. Mãe me havia matriculado na Midtown School of Science and Technology, e amanhã seria meu primeiro dia.
“Seu quarto é lá em cima, primeira porta à esquerda!” ela gritou novamente.
Subi as escadas e abri a primeira porta à esquerda. O quarto estava pintado de um turquesa escuro, um tom que eu sabia que repintaria eventualmente. Joguei minha mala na cama que havia sido entregue ontem.
Já eram sete horas, mas o cansaço me invadiu. Fechei os olhos, deixando o sono me vencer.
“Y/N!!” A voz de Mãe gritou de baixo, me sacudindo para acordar. Olhei para o meu telefone – 7h30. Eu tinha dormido demais!
Rapidamente vesti jeans, uma camisa vinho, um cardigan cinza e sandálias. Apliquei maquiagem levemente e cacheei meu cabelo, dando uma última olhada no espelho e aprovando o resultado. Peguei minha bolsa e desci correndo.
“Apresse-se e entre no carro,” Mãe disse sem levantar os olhos dos papéis. “Eu vou te levar hoje, e não posso me atrasar para o trabalho.”
O trajeto para a escola foi silencioso. Finalmente, chegamos a um prédio grande com uma placa dizendo “Midtown School of Science and Technology.”
“Tenha um bom dia, querida,” Mãe disse, beijando minha testa. Saí do carro e a vi se afastar. Entrei no prédio e fui direto para o escritório principal.
Crianças me encaravam enquanto caminhava pelo corredor. Eu entendia o porquê – provavelmente parecia uma criança perdida vagando por um carnaval.
No escritório, uma mulher de cabelos vermelhos e óculos marrom escuro estava sentada atrás da mesa, digitando furiosamente. Ela levantou os olhos quando me aproximei, removendo os óculos.
“Um, olá. Meu nome é Y/N Y/L/N. Sou nova,” gaguejei, tentando parecer composta, mas falhando miseravelmente.
“Ah, sim,” ela disse, puxando uma pasta de sua mesa. “Aqui está seu horário de aulas.” Ela me entregou, e eu dei uma olhada nas minhas aulas, número do armário e combinação.
“Podemos pedir a um aluno para mostrar o caminho?”
“Um, sim, gostaria disso. Obrigado.” Eu me repreendi mentalmente. Eu tinha que parar de dizer “um”. Isso me fazia soar tão tola.
A mulher pegou o telefone, falando suavemente no receptor. Não consegui entender uma única palavra que ela disse. Ela desligou e me deu uma olhada rápida antes de colocar os óculos de volta.
“Um aluno estará aqui em breve para guiá-lo durante o dia. Você pode esperar até que ele chegue.” Ela gesticulou para uma cadeira perto da porta. Caminhei lentamente até ela e sentei.
Cinco minutos depois, um garoto entrou pela porta e se aproximou da mesa. Ele falou baixinho com a atendente do escritório.
“Oh, sim,” ela disse, puxando um arquivo de sua mesa. “Y/N!”
Eu me levantei, quase tropeçando. Minhas pernas estavam como gelatina.
“Sim?” disse, caminhando mais perto da mesa.
“Este é seu guia para hoje. Ele pode se apresentar a você.” A mulher parecia totalmente indiferente à minha presença.
O garoto se virou e me olhou. Ele vestia uma camisa de flanela sobre um suéter, e um fone de ouvido espreitava debaixo de sua gola. Ele parecia estranhamente familiar, mas não conseguia identificar.
Então me lembrei. Minhas pernas ficaram como gelatina novamente, e juro que meu coração parou por um momento. Dei um passo mais perto dele.
“Pedro?”
“Sim?” ele disse, parecendo confuso.
“Pedro Parker?”
“Sim, já nos conhecemos?”
“Sou eu. Y/N Y/L/N!”
Seus olhos se arregalaram, e ele deu um passo para trás. “Y/N?”
Eu não podia acreditar no que estava acontecendo. Eu não esperava ver Pedro novamente, mas aqui estava eu, de pé na frente dele pela primeira vez em quatro anos.