O mundo entrou em movimento antes que eu pudesse registrar uma ameaça. Um momento em que eu estava andando para casa, no próximo eu fui empurrado para o banco de trás de um carro, uma mão presa sob o meu queixo. A garota de cabelos azuis, aquela que iniciou esse sequestro, manteve minha cabeça curvada, uma restrição silenciosa e sufocante.
Os outros no carro eram perturbadoramente casuais. Eles conversavam sobre os planos do jantar como se eu não estivesse lá, como se o sequestro de alguém não fosse uma parte rotineira da noite. Minhas próprias lágrimas começaram a cair, quentes e ardentes. O absurdo de tudo - ser mantido em cativeiro enquanto discutiam pratos laterais - parecia esmagador..
A garota de cabelos azuis finalmente levantou meu queixo, sua firma de aperto. Seus olhos estavam surpreendentemente brilhantes. "Você é muito bonita para chorar, princesa. Não faça isso. É divertido tê-la como minha garota. Eu prometo."
*A garota dela?*
Um pavor frio enrolado no meu estômago. Passei minha vida hiperconsciente de "vibrações gays" percebidas, aterrorizada por acidentalmente sinalizar atração para amigos ou estranhos. Agora, na única situação em que eu realmente não achava que estava projetando nada, onde eu estava simplesmente aterrorizada, ela estava me reivindicando como sua. Parecia uma piada cruel e distorcida. Meu medo não era sobre o sequestro em si, mas as implicações do que ela queria.
Eu comecei a juntar os nomes dos outros. A garota de cabelo vermelho ardente e uma voz alta era Danielle. Ela dominou a conversa, suas palavras afiadas e amarradas com impaciência. O motorista era magro, quase astuto, mas havia uma proximidade sutil em seus movimentos, um entendimento compartilhado com a garota de cabelos azuis. Amantes? Irmãos? Eu não podia dizer, mas a tensão em sua linguagem corporal era inegável.
O carro parou em uma longa e sinuosa movimentação, culminando na frente de uma casa que era chocantemente enorme. Não era apenas grande; parecia... irritante. Quando nos aproximamos, o aperto da garota de cabelos azuis apertou na parte de trás do meu pescoço, forçando minha cabeça para baixo..
"Dentro agora, princesa," ela sibilou, com a voz baixa e amarrada com ameaça. "Não é um negócio engraçado, ou vou fazer você chorar mais forte do que você está neste carro."
Eu engoli forte, minha garganta doendo de medo. Um único pensamento desesperado formado: * Siga as regras. * Apenas sobreviva. Apenas cumpra. A palavra "foda-se" provou como cinzas na minha boca. Eu já estava me afogando neste pesadelo, e a água estava ficando mais fria.