A Longa Maré

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Dezesseis anos haviam se passado desde que eu deixara Berk, e eu nunca me senti melhor. Eu havia encontrado uma ilha repleta de dragões amigáveis e cavaleiros – Heather e seu irmão Dagur primeiro, depois Eret, então mais e mais. A ilha havia se tornado um refúgio para aqueles que compreendiam a ligação entre dragão e cavaleiro. Sorri, observando a cena do alto do que chamávamos de Grande Montanha, Toothless ao meu lado. Eu havia construído algo que valia a pena. Eles me elegeram Chefe. Nós nos chamávamos de Tribo Strike.

Olhei para nossa vila, uma rede extensa de pedra esculpida e ninhos de tecido agarrados aos penhascos. *Berk acreditaria onde eu estava agora?* Uma onda de amargura me atingiu, seguida rapidamente por uma dor familiar. Há um ano, alguém próximo a mim havia morrido. Fechei os olhos, tentando reprimir a dor. O pensamento foi interrompido por um rugido – o chamado de um Nadder Mortal, vindo de trás.

Virando-me, vi um Nadder azul-verde, sua cavaleira uma menina de dez anos. Ela tinha olhos verdes, uma confusão de cabelo castanho e preto. “Pai”, ela chamou, sua voz hesitante.

É isso mesmo. Um pai. Minha filha, Scy. Sua mãe, Abia, havia morrido um ano atrás, uma doença silenciosa a levando embora cedo demais. Eu a encontrei durante meu primeiro ano longe de Berk, jovem, imprudente e irrevogavelmente apaixonada.

“Sim, querida?” perguntei, inclinando-me.

“Tio Eret e Tia Heather… eles disseram que precisavam de você no Salão Principal.” Sua voz gaguejou, cada palavra era uma luta. Ela se parecia tanto com Abia, o mesmo queixo teimoso, os mesmos olhos assombrados. A visão quase me tirou o fôlego.

“Ok”, disse, forçando a compostura. “Corra comigo?”

Um lampejo de excitação brilhou em seus olhos. “Se eu ganhar… posso montar Toothless por um mês!”

Sorri, cutucando Toothless. Ele respondeu com uma gargalhada de dragão estrondosa. “Se *eu* ganhar, você me ajuda ao redor da cidade por um mês.”

Eu era Chefe, sim, mas eu precisava desses momentos com Scy. Ela estava crescendo rápido demais.

“Pronta?” perguntei.

“Já!” ela respondeu, sua voz mais firme agora.

“Vai!”

Lançamos para frente, voando em direção ao Salão Principal. Eu puxei Toothless, sutilmente diminuindo o ritmo deles. Ele sabia o que eu estava fazendo. *Deixe ela ganhar de novo.* Ele resmungou em Dragonese – uma língua que havíamos desenvolvido ao longo dos anos, uma língua de olhares compartilhados e batimentos cardíacos compartilhados. Nós a falávamos tão frequentemente que o inglês parecia estrangeiro, forçado. Scy ainda gaguejava em sua língua nativa, mas ela estava melhorando.

Quando pousamos, Scy já estava saltando de Toothless, seu rosto radiante. “Eu ganhei! Toothless é meu por um mês!”

“Ok, vamos entrar”, disse, desmontando. “Seu Dragonese está ficando mais forte. Seu inglês também.”

Ela suspirou, seus ombros caídos. “Mas eu continuo gaguejando.”

“Mas você terá sucesso em ambos, minha querida”, disse, guiando-a para o Salão Principal. “Você encontrará sua voz.”

Empurrei as pesadas portas de madeira e encontrei Eret e Heather esperando. “O que parece ser o problema que me convoca?” perguntei.

Ambos desviaram o olhar. “Fale”, ordenei, meu tom afiado, temperado com Dragonese.

Heather finalmente quebrou seu silêncio. “Vimos navios se aproximando, Chefe.”

“Que tipo de navios?” perguntei, um nó se formando em meu estômago.

Eret encontrou meu olhar. “Navios de Berk.”

O mundo parecia inclinar-se sobre seu eixo. Dezesseis anos. Eles finalmente me encontraram?

“Sem chance de seu pai estar no navio”, Heather disse, sua voz baixa.

“Mas por aqui, perto da Ilha Wings? Por que aqui?” Eret argumentou. “Todos os outros lugares… por que este?”

“Eu não sei”, disse, minha voz tensa. “Mas prepare a hospedaria. Eles pensarão que isso é um ninho de dragões.”

Parei, observando o rosto de Scy. “Eret, reúna todos os homens que puder. Encontre os Hooligans na área de atracamento.”

“E as armas deles?” Eret perguntou enquanto Heather se preparava para preparar a hospedaria.

“Deixe-as na praia”, ordenei. “Diga a eles que se quiserem viver, eles deixam suas armas. Eu ainda estou furioso com a maneira como me trataram enquanto estava encalhado naquela ilha amaldiçoada. Vá agora.”

Eret assentiu e saiu.

“Pai”, Scy chamou, sua voz pequena.

“Sim, querida?”

“O que eles vão fazer… quando eles te verem?” Suas palavras tropeçaram umas nas outras.

Ajoelhei-me, pegando suas mãos. “Se eles fizerem… eles terão que lidar com isso.”

Ela gargalhou, um som que amenizou a tensão em meu peito. “Vá dizer a todos para virem ao Salão Principal.” Ela saiu correndo, seu rosto iluminado com propósito.

Suspirei. Eles estavam procurando há dezesseis anos, ou finalmente vieram para reivindicar o ninho de dragões? Eles finalmente vieram por mim?