O apartamento parecia pequeno demais, até mesmo para um espaço compartilhado. Daisy passou o dedo na borda de sua xícara de café morno, olhando pela janela da cozinha para a paisagem urbana cinzenta. Era muito diferente das praias ensolaradas de sua vida passada, uma vida que ela estava tentando reconstruir, tijolo a tijolo, com esforço e dor.
Ela havia dito a si mesma que estava controlando a situação. Ela havia dito a si mesma que estava *bem*. Mas a verdade era uma dor persistente e lancinante que havia se enraizado no momento em que ela havia enviado a nude acidentalmente.
Para Liam.
Liam, ou seja, *Liam*, o melhor amigo de seu irmão Finn desde o jardim de infância. A parede estoica e impenetrável de um homem que agora vivia a seis pés de distância, separada por uma parede fina como papel e uma montanha de silêncio constrangedor.
Seu telefone vibrou no balcão. Uma mensagem de Finn: *“Está saindo com alguém?”*
Daisy engoliu em seco. “Não”, digitou de volta, uma mentira que tinha gosto de cinza em sua boca.
Ela estava evitando Liam há duas semanas, programando estrategicamente suas viagens ao supermercado, fingindo noites tardias na biblioteca. Mas a evasão parecia… patética. Parecia admitir a derrota.
O pior não era o envio acidental. Era o recibo de leitura. A única e fria confirmação de que ele havia visto. E então… nada. Nenhuma resposta. Nenhum julgamento. Apenas silêncio absoluto.
Ela havia passado horas dissecando a imagem em sua mente, revivendo o momento em que a tirara – um selfie brincalhão e despreocupado destinado a um destinatário diferente. Seu dedo pairava sobre o botão de excluir, mas ela não o havia feito. Ela não queria apagar a prova de sua própria estupidez.
"Faz tanto tempo, como você ainda se lembra disso?" A voz de Liam a assustou, trazendo-a de volta ao presente. Ele estava no batente da porta, encostado na moldura, com os braços cruzados sobre o peito.
Daisy saltou, quase derramando seu café. “O quê?”
"A coisa que você disse sobre a pintura," ele esclareceu, sua voz um ronronar baixo. “Na abertura da galeria. Sobre como ela fez seus sentidos pararem.”
Ela piscou, tentando lembrar a conversa. Tinha sido um borrão de champanhe e conversas educadas. “Ah. Certo.”
"Eu lembro você dizendo que parecia que você se perdeu nela."
Um rubor subiu no pescoço de Daisy. “Eu… eu estava tentando ser poética.”
O olhar de Liam não vacilou. Seus olhos eram um tom surpreendente de cinza, salpicados de prata. Ela sempre havia achado difícil encontrar seu olhar. Parecia… invasivo.
“Você não precisava ser poético”, ele disse suavemente. “Era uma descrição linda. Eu me lembro de pensar… se eu pudesse pintar, eu queria capturar esse sentimento.”
Daisy prendeu a respiração. “Você pinta?”
Ele balançou a cabeça, um sorriso fantasma brincando em seus lábios. “Eu queria poder. Não consigo desenhar, ou esculpir, ou nada parecido. Mas eu consigo ver as coisas… em detalhes. Eu me lembro de voltar para o quarto naquela noite e xingar minhas mãos por não serem capazes de desenhar.” Ele fez uma pausa, seu olhar intenso. “Se eu tivesse tirado uma foto sua naquela época, você provavelmente teria achado que eu era estranho, então não fiz. Mas, meu Deus, como eu queria ter feito. Eu me lembro de voltar para o quarto naquela noite e xingar minhas mãos por não serem capazes de desenhar. Se eu algum dia aprender a fazer, o que vou, essa memória será a primeira coisa que meu lápis vai imitar no papel.”
As palavras pairavam no ar, densas com uma tensão não dita. Daisy o encarou, seu coração batendo contra as costelas. Esse não era o Liam frio e distante que ela estava evitando. Era… algo mais. Algo inquietantemente, lindamente, *diferente*.