O ar crepitava com uma tensão não dita. Avisei a mim mesma para respirar, para não encarar, mas sua presença era uma força gravitacional.
“Eu não entendo!” gritei, apressando-me para acompanhar seu ritmo. Ele se movia com uma graça tão natural que zombava da minha própria luta ofegante.
“Você não *precisa* entender,” ele retrucou, a voz áspera, intocada pelo esforço da nossa corrida de vinte minutos. Meus pulmões ardiam, cada inspiração um apelo desesperado por oxigênio.
“Por que você está tão obcecado em descobrir quem te beijou na festa do Trevor?” A pergunta escapou, carregada de frustração.
Ele não respondeu, o maxilar tenso.
“Foi só um beijo!” tentei novamente, o desespero rastejando na minha voz. Ele parou abruptamente, virando-se com um movimento rápido e predatório. A sombra da linha do seu maxilar escureceu sua expressão. Engoli em seco, a garganta repentinamente seca.
“Só um beijo?” ele sussurrou, a voz carregada de uma ponta perigosa. Assenti, hesitante, rezando para que ele não notasse minhas mãos tremendo.
“SÓ UM BEIJO?!” Ele se inclinou sobre mim, seu corpo musculoso me projetando na sombra. Testa com testa, narizes quase se tocando… decepcionantemente, não as bocas. Lambi meus lábios, um hábito nervoso que não conseguia reprimir.
Ele olhou para baixo, depois desviou o olhar, seus nós dos dedos brancos enquanto cerrava os punhos.
“Apenas um beijo”, confirmei, minha voz mal um sussurro. Seu olhar se fixou no meu, ardendo com uma intensidade que fazia meu pulso martelar contra minhas costelas.
“Não, não era apenas um beijo! Talvez para *ela*, mas não para mim.”
“Por quê não?” pressionei, precisando entender a tempestade que se formava em seus olhos.
“PORQUE ELA ROUBOU MEU PRIMEIRO BEIJO!”
As palavras me atingiram como um golpe físico. Ofeguei, cambaleando para trás, minha mente girando.
Ele passou um dedo pelos lábios, um gesto lento e deliberado antes de se virar e sair batendo a porta.
Desta vez, eu não o segui. Fiquei paralisada, um único pensamento ecoando no caos da minha mente: *Eu roubei o primeiro beijo do bad boy por acidente.*
***
Addalynn Reina acreditava ser comum, uma ilusão confortável à qual se agarrava. Ela tinha tudo: riqueza, pais amorosos, uma melhor amiga ferozmente leal.
A dança era seu santuário, uma expressão vibrante de sua alma. Ela irradiava calor e paixão, um imã para quem ansiava por sua luz.
Infelizmente, Asher King, seu amor de longa data e vizinho irritantemente distante, não conseguia nem sequer dispensar uma saudação educada – muito menos um olhar.
Isso mudou na noite em que impulsivamente esmagou seus lábios contra os dele, um ato imprudente nascido do desespero e de muito champanhe.
Agora, ele quer que ela ajude a desmascarar o culpado em troca de seu silêncio. Um acordo perigoso, considerando que ela guarda o maior segredo de todos.
Mas como Addalynn pode ajudá-lo a pegar o ladrão quando ela *é* a ladra?