---Perspectiva de Olivia---
Afundei nas almofadas macias do sofá, um suspiro escapando dos meus lábios. Tim ainda estava terminando o jantar, e eu me viu revivendo nossa conversa anterior. Ele não estava errado, admiti para mim mesma, uma familiar onda de auto-dúvida me invadiu. *Sou tola, insignificante, pouco atraente.* *Provavelmente não mereço esta bolsa de estudos.* *Há alguém melhor por aí.* O pensamento doeu. Meu monólogo interno espiralava, um litani de inseguranças, antes que Tim finalmente aparecesse na porta, oferecendo um sorriso tímido e um aceno. Retribui o gesto, uma pequena faísca de esperança acendendo dentro de mim.
“Sinto muito mesmo por causa do Damian,” ele começou, a voz carregada de pedido de desculpas. “Ele pode ser uma verdadeira dor de cabeça.”
“Linguagem, Mister Drake,” provoquei, imitando o tom severo de Bruce de mais cedo. Era bom desviar, injetar um pouco de leveza na pesada melancolia que me cobria.
“Desde quando você se importa?” ele perguntou, um sorriso brincalhão puxando os lábios enquanto se sentava ao meu lado no sofá. Eu ri baixinho, encontrando seu olhar. Ele tinha razão. “Mas eu só queria pedir desculpas pelas coisas que ele disse. Elas foram cruéis, e não eram verdade.”
“Algumas delas pareciam verdadeiras,” murmurei baixinho, a confissão escapando antes que eu pudesse impedir.
“Olivia, não faça isso com você mesma.” Seu tom era gentil, carregado de preocupação. “Você sabe que é incrível.” Ele me olhou com uma intensidade familiar, uma dor crescente no meu peito. “Você não está pensando em si mesma da maneira antiga, está?”
Fitei seus olhos quentes e acolhedores, então rapidamente desviei o olhar, a vergonha queimando na garganta. Um “sim” quase inaudível escapou dos meus lábios.
“Ah, venha aqui,” ele disse, a voz carregada de sinceridade. Ele me puxou para um abraço apertado, e eu me entreguei, enterrando o rosto no vinco do pescoço dele. Palavras desabrocharam, murmúrios fragmentados abafados pelo ombro dele. Ele me segurou, firme, e senti uma pequena medida de alívio me invadir.
Ele gentilmente levantou meu rosto, a mão moldando minha bochecha, até nossos olhos se encontraram. “Você é perfeita. Nunca se esqueça disso, ok?” Ele perguntou, o sorriso genuíno. Assenti rapidamente, murmurando um “ok” antes que ele se afastasse um pouco.
Ele se levantou para pegar algo em outro cômodo. Eu me deixei levar, embalada pelo calor de sua presença, até que ele voltou com algo que eu não pensava em há anos.
“Nosso antigo álbum de amizades,” eu suspirei, um pequeno sorriso se formando nos meus lábios enquanto ele assentia, sentando-se ao meu lado mais uma vez, folheando as páginas.
***Duas horas depois, preenchidas de nostalgia e memórias tolas***
Ri, lembrando a foto de Tim e eu, rostos lambuzados de glacê – azul na minha bochecha, um borrão rosa adornando o nariz dele. Estávamos sorrindo, desinibidos, irradiando pura alegria. Sentia falta daqueles tempos, quando não era atormentada pelo peso das opiniões alheias.
Finalmente, Tim fechou o álbum e o devolveu à gaveta do criado-mudo ao lado da cama dele. Eu me senti genuinamente feliz pela primeira vez em meses, rindo livremente, sorrindo amplamente.
Olhei para ele e ofereci um nervoso, "Obrigada, Tim."
Ele inclinou a cabeça, a confusão evidente em seus olhos. "Por quê?"
"Por me fazer feliz," eu disse, as palavras escapando antes que eu pudesse reconsiderá-vidas. Ele retribuiu meu sorriso, espelhando meu próprio alívio.
“Igualmente, Olivia.”
Um bocejo escapou dos meus lábios, sinalizando que o sono me chamava. Caminhei até a porta, me espreguiçando, "Vou indo para a cama agora. Falamos amanhã?" perguntei, virando-me para enfrentá-lo enquanto alcançava a maçaneta.
"Claro. Boa noite."
“Noite, Tim.” E com isso, completei minha rotina noturna e afundei na cama, um sorriso brincando nos meus lábios enquanto adormecia.
---Perspectiva de Tim---
Observei Olivia deixar meu quarto, um contentamento silencioso se instalando em mim. Depois de escovar os dentes e trocar de roupa para o pijama, me rastejei para a cama, a voz dela ainda ecoando na minha mente.
“Obrigada, Tim. Por me fazer feliz.”
As palavras me aqueceram por dentro. Era um sentimento simples, mas significava tudo. Era um lembrete de por que eu me importava com ela, por que estaria sempre ali para ajudá-la a redescobrir sua própria luz.