O peso da perda

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Peter batucou os dedos na Formica lascada de sua mesa. Calculus nadou ao redor dele, equações já memorizadas, mas os números pareciam distantes, irreais. Ele olhou para o relógio, uma frustração familiar apertando seu peito. Duas horas até a demissão. Ele forçou sua atenção de volta para a lição, mas sua mente se desviou, repetindo as possibilidades de hoje à noite. Uma hora raspou o toque de recolher. Uma patrulha uma hora depois.

A porta da sala de aula se abriu, e a Sra. Watson ficou silhuetada no quadro. Ela se moveu silenciosamente em direção à Sra. Balkery, sussurrando algo que imediatamente suavizava o rosto do professor. Uma onda de mal-estar lavou Peter enquanto o olhar da Sra. Watson se fixava nele.

“Peter, você poderia sair comigo por um momento?”

Uma ingestão coletiva de ar varreu a sala enquanto todos os olhos se voltavam para ele..

A reação inicial de Peter foi uma cintilação de aborrecimento. Ele não tinha feito nada * errado *. Não recentemente, de qualquer maneira. A classe pulou no último semestre parecia uma transgressão distante. Ainda assim, um nó de ansiedade apertou em seu estômago.

Então, uma esperança imprudente se acendeu. Talvez eles fossem contar a ele sobre suas notas. Uma chance de escapar dessa aula agonizantemente chata. Ele pegou sua mochila e seguiu a Sra. Balkery para o corredor, a porta clicando fechada atrás deles. Ela parou abruptamente, suas costas bateram em linha reta. Por que no corredor?

A Sra. Balkery inalou profundamente, seu peito subindo e caindo com um esforço visível. A ansiedade de Pedro aumentou. O que estava acontecendo?

“Eu... eu odeio ser a única a dizer a você”, ela começou, com a voz tensa. Ela parou, incapaz de encontrar seus olhos. A testa de Peter franziu.

“Está tudo bem?” Ele perguntou, sua voz era um fio provisório. Seu rosto era uma máscara de pena.

“É sua tia...” ela finalmente conseguiu. O hálito de Peter engasgou. E a tia May?

“Ela está bem?” A pergunta arrancou de sua garganta, rachando de desespero. Ele balançou a cabeça, uma negação desesperada já se formando. Tudo ficaria bem. Seus olhos suavizados, cheios de uma tristeza que espelhava seu próprio pavor crescente.

"Sinto muito, Peter."

As palavras o atingiram como um golpe físico. Seus joelhos se apertaram, e ele amassado para o chão. A Sra. Balkery estendeu a mão para ele, mas ele se afastou, uma onda de vergonha e desamparo subindo dentro dele. Ele se empurrou, apenas para tropeçar e entrar em colapso novamente, escuridão consumindo-o.

Ele piscou lentamente, ajustando-se às luzes fluorescentes ásperas do escritório da enfermeira. Seu Aranha-Sense pulsava com a sobrecarga familiar. Ele levantou uma mão para proteger seus olhos, mas o brilho permaneceu implacável.

Mrs. Balkery pairou sobre ele, um bloco de gelo lascado pressionado em sua testa.

“Como você está se sentindo?”, ela perguntou gentilmente, com a voz cheia de preocupação. Ele acenou dormente, incapaz de articular o caos rodopiante dentro dele. “Você se lembra de alguma coisa?”

Tia May tinha ido embora. A realização caiu sobre ele novamente, uma onda de tristeza tão profunda que ameaçou afogá-lo. Todos que ele já amou... Mãe, pai, tio Ben, e agora Tia May? Os rostos tremeram em sua mente, cada perda uma ferida fresca. Ned? Ele era o próximo?

“Sinto muito, Peter”, a Sra. Balkery repetiu, sua voz suave. Ela não sabia o que dizer, e ele sabia que ela não sabia. Ninguém nunca fez. Ele empurrou as lágrimas para trás, mas eles queimaram atrás de suas pálpebras. Ele não podia responder.

“Você quer que eu ligue para alguém?”

Ele não tinha ninguém.

As palavras ficaram presas em sua garganta. Ele balançou a cabeça, o peso de seu isolamento o esmagando. A Sra. Balkery, sentindo seu desespero, não pressionou ainda mais.

Ela havia verificado os registros da escola, encontrando apenas May listado como seu contato de emergência. Ele estava sozinho.

A Sra. Balkery voltou para sua mesa, deixando Peter para sua dor. Ele jogou o bloco de gelo de lado, sua frieza proporcionando nenhum alívio. Ele lentamente ficou, com as pernas instáveis, e embaralhado para o gabinete das enfermeiras. Ele puxou uma garrafa de Advil, agitando oito pílulas em sua palma. Ele engoliu-os secos, em seguida, perseguiu-os com um gole de água. Ele voltou para a cadeira de vinil desconfortável e caiu contra a parede.

Dez minutos rastejados pela Sra. Balkery voltou, acompanhada por uma mulher com um rosto gentil, mas determinado. Ela se apresentou como a Sra. Sacer, da C.W.F.C. – Carmin Westler Foster Care. O sangue de Peter ficou frio. Foster care? Já? Antes que a dor se instalasse, a ameaça do sistema surgiu.

Ele balançou a cabeça, recuando até que sua espinha pressionasse contra a parede. Não. Ele não entraria no sistema. Ele desapareceria antes que eles pudessem levá-lo.

“Eu só quero levá-lo de volta ao meu trabalho, mostrar-lhe ao redor”, disse Sacer suavemente, como se temendo que sua voz o quebrasse. Ele balançou a cabeça novamente, sua vulnerabilidade exposta.

“Não. Eu não vou lá!” O desespero em sua voz era cru. A Sra. Sacer ofereceu um sorriso gentil.

“Vai ficar tudo bem, Peter.” Ele vacilou. Seu próprio nome, falado por ela, parecia uma traição. Ele precisava escapar. Um ataque de pânico estava se construindo, ameaçando sobrecarregá-lo, e ele não podia deixá-la vê-lo desvendar.

Suas mãos começaram a tremer, e ele apertou-os firmemente. A Sra. Sacer notou o tremor, uma mudança sutil em sua postura.

“Eu...” Ele engasgou, sua voz quebrou. Ele limpou a garganta e tentou novamente. “Eu preciso ir ao banheiro.”

Ele agarrou sua bolsa e aparafusou, a Sra. Sacer abriu a boca para protestar, mas muito devagar para detê-lo. Ele correu em direção ao banheiro dos meninos, empurrando a porta aberta e trancando-a atrás dele.

Ele se inclinou contra a porta da barraca, ofegante para respirar, as pernas cedendo. Ele deslizou para o chão, seu coração batendo contra suas costelas.

Ela se foi.

Ele balançou a cabeça, recusando-se a acreditar. Isso tinha que ser um sonho, um pesadelo. A qualquer momento, seu alarme soaria, e a tia May estaria na cozinha, fazendo o café da manhã.

Ele se beliscou, nada. Ele beliscou mais forte, tirando sangue. Ainda assim, ele estava na barraca, no chão. Seu braço tremeu com o esforço.

Ele não sentiu a dor. A dor, o vazio... era tudo emocional, não físico. Ele deveria ser capaz de sentir alguma coisa. Ele começou a tremer novamente, suas roupas apertando seu peito. Ele agarrou seu colarinho, rasgando o tecido. Ele pegou seu telefone, mas não estava lá. Ele o deixou no corredor.

Ele não tinha ninguém para chamar.

Ele estava prestes a atirar seu telefone para a parede, mas parou. Ele iria quebrá-lo. Ele ficou de pé, seus joelhos tremendo, e espirrou água em seu rosto. Ele mal conseguiu andar até a pia.

Não, ele não podia entrar no sistema. Flash iria descobrir.

Ele se amaldiçoou, odiando sua própria fraqueza. Como ele poderia pensar em si mesmo quando a tia May se foi?

Ele olhou para o seu reflexo, pálido e astuto, à beira do vômito. Mas o que o confundiu foi que ele não estava chorando. Nenhuma lágrima aumentou, nenhuma dor encontrou liberação. Ele olhou para o telefone. Ele tinha uma pessoa à esquerda.

Ele percorreu seus contatos, parando em um nome.

Tony Stark!! :D

Uma cintilação de calor acendeu dentro dele. Uma pequena e desafiadora centelha de esperança. Ele clicou no nome, desesperado para ouvir uma voz familiar. Ele precisava de alguém, qualquer um, para puxá-lo da escuridão.