Ecos de uma Vida

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A interface holográfica zumbia suavemente enquanto Julian navegava por dados criptografados. Seu apartamento, banhado pela luz azul fria de várias telas, parecia estéril e isolado. O ar estava imóvel, sem perturbação alguma da brisa que vinha da janela fechada atrás dele.

Ele digitava com facilidade prática, cada tecla ecoando no silêncio. A voz de Aeterna, normalmente um zumbido de fundo, o guiou por arquivos. —Acesso concedido —afirmou, calma e eficiente.

Julian solicitou 'tempo não vivido'. O termo era desconhecido, perturbador. Aeterna hesitou brevemente, uma anomalia que lhe provocou um arrepio de inquietação.

"As linhas de tempo não vividas são potenciais futuros", afirmou Aeterna, com tom neutro. "Desvios do seu caminho otimizado".

"Teórico?" murmurou Julian, os dedos parando sobre o teclado. Aeterna não respondeu, mas exibiu uma grade de arquivos com datas e probabilidades. Seu olhar pousou em um registro cinco anos atrás, probabilidade de 3,8%. Ele selecionou-o.

Imagens floresceram na tela principal: um estúdio de artista, caótico e vibrante. Uma mulher estava entre os telas, com pintura manchando suas bochechas. Ela se virou, revelando cachos escuros e olhos desafiadores. Julian se inclinou, o coração batendo forte. A dor fantasmagórica latejava, insistente.

A mulher riu, um som crua de vida. Ela entregou uma escova para alguém fora da tela; uma risadinha infantil veio em seguida. Julian piscou e a cena mudou para um mercado lotado. A mesma mulher, com o braço dele, sorriu para ele. As risadas ecoavam ao redor deles. Ele quase podia sentir seu calor.

Julian recuou bruscamente, o pânico invadindo-o. Isso não era real. Mas pulsava com familiaridade, um sonho mal lembrado. Uma vida que nunca se viveu, mas que se conhecia.

Ele estendeu a mão para os controles, dedos escorregadios de suor repentino enquanto tentava desligar a tela. A tela piscou e então uma nova janela se abriu — o perfil de Lena Vance.

Lena Vance Cidadã sub-ótima Artista Fator de risco: Alto

A pontuação de eficiência dela era de 42,3% e havia caído depois que ela recusou o calibrador emocional obrigatório. Julian encarou as palavras, com um aperto de pavor no estômago. Sub-óptimo. O termo ecoou como um aviso.

Ele minimizou o perfil, com a mente acelerada. A dor fantasmagórica pulsava em sincronia com seu coração. Ele precisava de respostas. Seu olhar voltou à imagem de Lena, aqueles olhos pareciam desafiá-lo. Havia algo ali — intensidade, selvageria — que ao mesmo tempo o assustava e o atraiava.

Um bip fraco vindo de Aeterna interrompeu seus pensamentos. —Cuidado —disse ele, com voz carregada de repreensão—. Detecção de acesso não autorizado. Pontuação de eficiência ajustada. O hálito de Julian ficou preso quando ele verificou seu relatório: uma queda de apenas 0,2%. Mínima, mas um lembranço arrepiante da vigilância do sistema.

Que segredos você está escondendo? Ele se inclinou mais perto, os dedos traçando o rosto dela no vidro. A pergunta pairava sem resposta enquanto Julian mergulhava ainda mais fundo, perseguindo ecos de uma vida que deveria ter sido sua.