O Silêncio Antes

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6:45 AM

Eu acordei com uma dor familiar, uma esperança agarrada às bordas do meu pavor, dois dias, dois dias de silêncio de Yoongi, sem SMS, sem notificação, nada, eu puxei um moletom e suores, o peso familiar do apartamento pressionando em mim..

Ele não era uma pessoa da manhã, não realmente. Eu respirei devagar, tentando acalmar o pânico crescente, e comecei o café da manhã - torradas e chá. Estava quieto, muito quieto. Eu me mudei para Seul há três anos, um de olhos arregalados de vinte anos perseguindo um sonho. Eu ri suavemente, lembrando a energia frenética daqueles primeiros dias, a emoção de me perder na cidade.

A torradeira apareceu, e eu peguei meu brinde, enchendo meu copo com chá. Eu fui para o meu laptop, montando a lista de reprodução para a prática de dança de hoje. A música parecia oca, uma tentativa desesperada de preencher o vazio.

9:45 AM

Eu tinha terminado o café da manhã, a playlist estava pronta, e um nó apertado no meu peito a cada minuto que passava. Eu mandei uma mensagem, tentando mantê-la leve.

Ei Yoongs, sou eu, sua esperança, indo dançar, vamos almoçar às 12?

Mandei e fui para o estúdio, me forçando a me concentrar nos passos, no ritmo, mas tudo o que pude sentir foi a crescente frieza de seu silêncio..

11:45 AM

Ainda não há resposta. Um pingo de medo escorreu pela minha espinha. Não foi apenas o silêncio; foi o *erro * dele. Yoongi era anti-social, sim, mas ele sempre teve um barb, um comentário sarcástico, * algo *. A ausência dele parecia ... ominosa.

Eu esperava, desesperadamente, que ele não tivesse voltado a se machucar..

Meus nervos se desgastaram, e comecei a correr para o apartamento dele. Medo, cru e gelado, agarrei-me. Corri pelo saguão, subi as escadas até o quarto andar, cambaleando com a minha chave. Minha mão apertou enquanto abria a porta..

Parecia normal, mas eu sabia melhor, deixei cair minha bolsa, chamei o nome dele, silenciei, insisti, meu coração batendo contra minhas costelas..

O quarto dele foi um desastre. Roupas rasgadas de gavetas, lençóis arrancados da cama, livros e papéis espalhados por toda parte. Um teclado estava entre os destroços, fotos quebradas contra a parede. Entrei no caos, lágrimas borrando minha visão.

Eu rastejei em direção ao banheiro, hesitando, minha mão tremendo..

"Y-Yoongi?" Eu chamei, minha voz um sussurro desesperado.

Então, eu vi..

Eu gritei, um som animalesco cru arrancado da minha garganta..

Ele foi embora, meu melhor amigo, o homem que eu amava..

Deslizei pela parede, soluçando incontrolavelmente, uma dor oca se espalhando por mim. Tempo dissolvido. Horas borradas em um vazio dormente, até que um vizinho me encontrou e chamou a polícia..

Eles me levaram para interrogatório, suspeitando de jogo sujo..

"Eu não quero", eu me engasguei, incapaz de olhar para ele.

"Está endereçado a você", disse o oficial..

Eu me recusei a abri-lo, não podia, não suportava ver a caligrafia dele, confirmar o impossível, levei-o para casa, deixando-o na minha mesa de cabeceira, um peso silencioso e acusador..

6:45 Dois dias depois

Eu acordei, vestido de terno, sem me preocupar com o corretivo para esconder os sacos sob meus olhos ou a vermelhidão. Eu não tinha dormido desde que o encontrei..

Jimin nos levou ao funeral, foi lindo, de uma forma terrível, de partir o coração, Yoongi parecia tão pálido, tão sem vida..

Quando era a minha vez de falar, eu caminhei até o pódio, minhas pernas tremendo..

"Min Yoongi," eu comecei, minha voz estalando. "O garoto que parecia rude e de merda até você ficar com ele o tempo suficiente. Ele era meu melhor amigo... ele era meu melhor amigo... eu estava apaixonado por ele... mas eu estava com muito medo de dizer a ele, com muito medo de perdê-lo. Tudo se tornou... se tornou muito real."

Eu recuei, caindo na minha cadeira, soluçando até que eu mal conseguia respirar..

Ele se foi, para sempre..