O Banco

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1. Cativada

Ele…

— Por que você não atendia o telefone, Dean? — a voz do meu pai ecoou pelos alto-falantes do carro.

— Eu estava… ocupado — murmurei, ligando o carro.

— Ahhh! Você estava com uma nova, não estava? — ele suspirou, mas consegui perceber a animação familiar em seu tom.

— Como você sabe? Eu só disse que estava ocupado — perguntei, divertido.

Ele sempre sabe quando estou com uma mulher. Às vezes acho que tem alguém me espionando.

— Você limpou a garganta, filho. Limpou a garganta — respondeu com falsa seriedade.

Soltei uma risada.

— Quem era ela? Não, espera… como ela era? — perguntou, parecendo um adolescente de dezesseis anos. Já conseguia imaginá-lo mexendo as sobrancelhas.

— Já falei antes, pai. Não vou discutir minha vida sexual com você. Pode desistir disso.

Revirei os olhos enquanto dirigia sem rumo certo.

— Tá bom! — ele gritou. Logo em seguida ouvi o som inconfundível de teclas sendo digitadas.

— Pai… você está ligando pro Jake, né?

Balancei a cabeça.

— Sim! Se você não contar, ele conta! — respondeu infantilmente.

Eu amo aquele homem. Ele consegue ser irritantemente infantil e irresponsável às vezes… mas, sinceramente, eu não poderia pedir um pai melhor.

— Ele não sabe de nada, pai. Acabei de sair da casa dela. Nem cheguei em casa ainda.

— Pelo menos me diz… ela é “a tal”? — perguntou cheio de esperança.

Aquilo me fez sentir culpado.

Ultimamente ele está obcecado em encontrar “a mulher certa” para mim. Não importa quantas vezes eu diga que não sou o tipo que se acomoda, ele continua acreditando que uma mulher misteriosa vai surgir e me transformar em um homem melhor. Como se eu fosse trocar minha liberdade por casamento e filhos tão facilmente.

Não me entenda mal. Eu acredito no amor. Crescer vendo meus pais se amarem daquele jeito fez isso comigo. Mas acreditar no amor e querer sossegar são coisas completamente diferentes.

— Sério mesmo, pai? — respondi apenas.

Às vezes me sinto mal por destruir as esperanças dele, mas eu me conheço bem demais. Tenho certeza de que não vou abrir mão dessa vida por uma mulher tão cedo. Afinal, só tenho vinte e seis anos.

— Não sei como você consegue. Você foge escondido ou elas simplesmente deixam você ir? — perguntou mudando de assunto.

— Elas nunca deixam ele ir. — A voz de Jake surgiu na ligação.

— Você atendeu às duas da manhã? Meu Deus do céu… — falei sarcasticamente.

— A Bela Adormecida finalmente acordou — meu pai declarou.

— Vocês já terminaram ou vou precisar desligar na cara dos dois? — Jake perguntou irritado.

Franzi a testa ao perceber que havia pegado a saída errada.

Perfeito. Perdido no meio do nada, morto de cansaço e desesperado por um banho.

Essa noite podia ficar pior?

— Estamos só brincando com você, filho — disse meu pai.

— Eu não sou seu filho. Ele é — Jake rebateu.

— Ai, essa doeu! Vou contar pro seu pai o que você disse!

— Claro que vai, Max.

— Gente, peguei o caminho errado. Vou desligar agora.

— Por quê? Onde você está? — perguntou meu pai.

Olhei ao redor mais uma vez. Nada familiar.

— Não faço ideia. Vou olhar o GPS. Tchau.

— Me liga quando chegar em casa — Jake disse.

— Tá bom, mãe — provoquei antes de desligar.

— Agora… onde diabos eu estou?

Foi então que reduzi a velocidade do carro até parar completamente.

Uma mulher caminhava apressada pela rua, arrastando duas malas que pareciam pesadas demais para o corpo pequeno dela.

Meu Deus…

Ela era absurdamente linda.

E incrivelmente sexy naquele vestido branco curto.

Ela sentou em um banco e olhou em volta com cautela. Desliguei os faróis antes que minha mente começasse a viajar ainda mais.

Ela parecia destruída.

Depois de verificar se havia alguém por perto, tirou os saltos.

As pernas bronzeadas dela eram um pecado. O vestido mostrava metade das coxas.

Deus, me ajuda a controlar minha imaginação.

Então, de repente…

Ela começou a chorar.

Por que ela está chorando?

Ela não deveria estar chorando assim.

Ela parecia frágil demais para desabar daquele jeito.

Como se fosse se quebrar em pedaços a qualquer momento.

Os soluços vinham sem controle enquanto os cabelos caramelados balançavam a cada tremor. E, por algum motivo absurdo, o som do choro dela começou a me incomodar profundamente.

Estendi a mão até a maçaneta da porta… mas parei.

Espera.

Por que eu me importo?

Ela claramente precisa de privacidade. Um estranho não é o que ela precisa agora. Seja lá o que aconteceu, ela precisa colocar isso para fora. Vou esperar ela se acalmar… depois vejo se falo com ela.

E então, por alguma razão completamente irracional…

Meu peito doeu.

Não faço ideia do motivo, mas vê-la daquele jeito… machuca.

E isso me irrita tanto quanto me afeta.

Eu nem sei quem ela é. Não sei nada sobre sua vida. Mesmo assim, sinto vontade de atravessar a rua, puxá-la para meus braços e deixá-la chorar no meu ombro pelo tempo que precisar.

Porque parecia que, se eu não a segurasse forte o suficiente…

Ela simplesmente iria desmoronar.

E eu não conseguia aceitar isso.

Tá, que diabos eu estou fazendo?

Estou há meia hora sentado dentro do carro observando uma desconhecida chorar, e isso está acabando comigo.

Ela parece quebrada demais.

Quero socar alguma coisa. Ou alguém.

Quero que ela pare de chorar.

Quero que ela fique bem.

Mas por quê?

Por que eu me importo?

O que há de errado comigo?

Por que sinto essa necessidade absurda de consertar tudo?

Mais meia hora passou, e eu ainda não conseguia parar de olhar para ela.

O cabelo ondulado cor de caramelo.

O corpo perfeito.

O rosto destruído pelas lágrimas.

Desejei saber quem fez aquilo com ela só para quebrar a cara da pessoa.

Não aguento mais isso.

Estou irritado, excitado e profundamente incomodado ao mesmo tempo.

Preciso resolver isso.

Mas primeiro ela precisa parar de chorar.

Sério… uma hora inteira de choro já é suficiente para causar enxaqueca.

Meu Deus.

Eu sou um maldito estranho.

Por que ela está chorando no meio da rua?

Por que não foi para a casa de uma amiga?

Então aquela voz irritante dentro da minha cabeça apareceu:

“Desde quando você se importa? Você nunca ligou quando uma mulher chorava. Nem quando a culpa era sua.”

Tá, eu sou o típico cara de uma noite só.

Mas nunca enganei ninguém.

Todas sabem exatamente o que vão receber — apenas uma noite — e concordam com isso.

Escolha delas.

Mas quer saber?

Estranho ou não, se eu for embora agora sem ter certeza de que ela está bem, não vou conseguir dormir.

Nem tirar ela da cabeça.

E sim, eu sei que não tenho direito nenhum de me meter…

Mas meu peito dói por causa dela.

E isso está me enlouquecendo.

Então preciso que ela fique bem.

Abri a porta do carro e caminhei até o banco, a única área iluminada daquela rua vazia.

Ela chorava tanto que nem percebeu quando sentei a uma distância segura dela.

— Você está bem? — perguntei da forma mais gentil que consegui.

Ela se assustou imediatamente, levantando do banco e se afastando de mim.

Por que ela ficou com medo?

Por que recuou?

Porque você é um estranho, idiota. Ela está sozinha, chorando no meio da rua. O que você esperava? Que ela pulasse nos seus braços, contasse todos os segredos da vida dela e te chamasse de príncipe encantado?

Agora que estou mais perto…

E pela centésima vez naquela última hora…

Imaginei ela nos meus braços.

Merda.

Estou ficando excitado.

Ela é tão linda quanto provocante.

Não deveria estar usando aquele vestido.

Muito menos andando descalça naquela rua.

Mesmo com as olheiras causadas pelo choro, não consegui ignorar o azul intenso dos olhos dela.

Azuis demais.

Grandes demais.

Nunca tinha visto algo tão inocente… ou tão bonito.

Eles estavam me hipnotizando.

Foi então que percebi os cacos de vidro espalhados perto dos pés dela.

— Quem diabos é você? — ela perguntou, limpando as lágrimas rápido demais para o meu gosto.

— Acho que você deveria se sentar — respondi.

Ótimo.

Agora você parece o chefe dela, imbecil.

— O quê? — ela franziu a testa, confusa.