[LIVRO 1] Capítulo 4: Primeiro Exame
[LIVRO 1] Capítulo 4: Primeiro Exame
A névoa matinal se agarrava firmemente à floresta encantada que cercava a Academia de Achazian, enrolando-se como sapos entre árvores e torreias. Os alunos reuniam-se no pátio central, suas vestes tremulando e os nervos zumbindo de expectativa.
A professora Elzora estava à frente, sua silhueta definida pela luz dourada do amanhecer. Atrás dela, flutuando no ar, havia um portão cintilante — girando com runas, vento e sussurros.
—Hoje —anunciou ela— vocês entrarão no Triângulo das Quatro Casas.
Suspiros. Até mesmo os alunos de último ano ficaram tensos.
O olhar de Elzora percorreu a multidão. «Isso não é uma competição. Não se trata de quem ganha ou perde. Trata-se de quem escuta. Quem se adapta. Quem sobrevive».
“A prova está viva…”, ela continuou. “Muda de forma. Reage ao seu espírito. E se lembra quem você é.”
Lychein estava entre Zharmyst e Britney, o coração batendo forte no peito como um pássaro preso. Seus dedos estavam frios, mas algo profundo dentro dela se acendeu — curiosidade. Prontidão.
O portal pulsou mais brilhante e nomes começaram a cintilar no ar acima dele.
Grupos de cinco. Misturados entre as casas do alojamento. Um teste não apenas da magia, mas da união.
O grupo de Lychein incluía:
Zharmyst (Dragão Violeta) – Calma e forte, ela controla as sombras e sempre fica ao lado de Lychein. Ela protege com calma e foco.
Ceyron (Dragão Azul) — Inteligente e rápido, ele controla vento e trovões. Ele é áspero mas leal, e sua magia é selvagem como uma tempestade.
Luneira (Dragão Azul) – Calma e gentil, ela usa luz da lua e música para criar ilusões. Ela entende os outros mesmo sem palavras.
Sylric (Dragão Azul) – Gentil e sonhador, ele controla o brilho estelar. Ele adora desenhar, e suas esboços ganham vida com magia das estrelas.
Os cinco trocaram olhares. Zharmyst deu um leve aceno com a cabeça. Ceyron revirou os olhos.
“Isso vai ser divertido…”, ele murmurou. “A garota misteriosa e seus espetáculos de fogo”.
Lychein se endireitou mas não disse nada.
O portal se abriu.
Eles passaram para dentro.
O ar do outro lado parecia mais denso. Mais antigo. Eles surgiram em uma floresta brilhando com névoa roxa. As árvores aqui eram altas e arqueadas, formando catedrais de folhas. Cristais flutuavam entre os galhos. O tempo pareceu mais lento.
Uma voz —não de Elzora, mas algo mais profundo— ressoou do alto:
Cinco entraram. Um liderará. Todos devem confiar.
Um caminho se abriu diante deles, pavimentado com símbolos brilhantes.
Ceyron deu um passo à frente. —Bem, se essa coisa vai nos testar…
O chão rachou.
Um cipó se esticou e enrolou em seu tornozelo, puxando-o para baixo e pendurando-o de uma árvore.
—Eu ia dizer que não vamos ficar arrogantes! —ele gemeu.
Luneira estalou sua varinha e o soltou com um feitiço.
Zharmyst olhou para o caminho. — Isso não é sobre força. É sobre harmonia.
“Temos que caminhar como um só”, murmurou Lychein, lembrando-se de algo em um sonho — um dragão dizendo: “O caminho se abre quando os corações batem juntos”.
O grupo se formou em fila, com as mãos quase tocando, e avançou juntos cuidadosamente. O caminho reagiu — brilhando mais intensamente sob seus passos sincronizados.
Eles passaram por ilusões destinadas a enganá-los: uma visão da filhote de urso morto de Sylric, os pais de Luneira repreendendo-a, Zharmyst sozinho em uma torre queimando.
Cada vez, Lychein estendia a mão. Falava. Acalmava. Ela não sabia por que conhecia o que dizer — mas as palavras vinham de algum lugar dentro dela.
Finalmente, eles chegaram a uma plataforma de pedra, e a voz falou novamente:
“Um deve enfrentar o fogo sozinho.”
Os outros se entreolharam, hesitantes.
Lychein deu um passo à frente.
O ar mudou instantaneamente.
Ela estava diante de uma grande brasinha — fria, mas cercada por símbolos que se moviam. No momento em que ela se aproximou, ela ardeu com fogo. Não vermelho ou laranja — violeta.
“Ele reconhece mim.”
Uma visão a atingiu — uma lembrança que não era dela.
Uma garota que se encontrava neste mesmo altar há séculos. Olhos como os dela. Fogo espiralando de suas mãos. Atrás dela um dragão entalhado em luz estelar.
—Não tem medo do fogo —sussurrou a visão—. Você nasceu dele.
Lychein enfiou a mão nas chamas.
Os outros arfaram — mas ela não queimou.
Em vez disso, o fogo subiu por seus braços, enrolando-se como uma capa. Seus olhos brilharam de um azul-violeta intenso.
Um pulso irrompeu da fogueira — envolvendo toda a floresta.
Quando o grupo retornou através do portal, os outros alunos ficaram em silêncio.
O professor Elzora olhou para Lychein com os olhos semicerrados de admiração.
“Você tocou a Chama da Origem”, ela disse baixinho. “Só três alunos já fizeram isso na história registrada de Achazia”.
Lychein não sabia o que dizer.
Atrás dela, Ceyron murmurou: —Tá bom, é. Fico impressionado. Não significa que eu goste, mas... impressionado.
Zharmyst estava um pouco mais perto, sua voz calma. —Você acordou algo antigo.
Os outros dormitórios murmuravam entre si — medo, respeito, admiração.
Mas Lychein não estava focado neles.
Em seu peito, a chama ainda queimava — não quente, mas viva.
Não uma ameaça. Uma promessa.
Naquela noite, ela estava na torre mais alta do Dormitório Violeta, olhando para as estrelas. Zharmyst se juntou a ela, em silêncio primeiro.
“Você não é apenas um Dragão Violeta”, ela disse. “Você é algo mais”.
Lychein se virou. —Você sabe o que isso significa?
A voz de Zharmyst era baixa. — Acho que significa problemas.
No bosque fora das muralhas da academia, um par de olhos os observava do escuro — olhos não humanos.
E em algum lugar distante, um selo antigo se partiu com o som de trovão abafado pelos séculos.