Confissões nas Sombras

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Draco descobriu que sua tarefa era muito mais exigente do que o esperado. A confiança inicial havia se esvaído, substituída por uma dúvida corrosiva. Como, pelo amor de Merlin, ele consertaria um armário desaparecedor? A simples ideia de admitir a derrota lhe causava um arrepio.

Contrariamente ao que se acreditava, Draco Malfoy sempre aspirou a ser um Auror – não apenas um, mas um Auror Sênior. Uma posição de autoridade, de respeito. Ele havia imaginado uma carreira dedicada a defender a lei, não a desmantelá-la.

Mas ele estava pagando pelos fracassos de seu pai. Às vezes, Draco se perguntava como seria sua vida sem a sombra de Voldemort pairando sobre tudo. Seus pais uma vez compartilharam uma felicidade genuína antes da ascensão do Lorde das Trevas. Agora, até mesmo o amor deles parecia perdido em meio à violência e à crueldade que definiam suas vidas.

Um ressentimento fervilhante queimava dentro de Draco. Ele odiava ser um fantoche de seu pai, o executor relutante. Ele odiava a si mesmo por obedecer. Mas ele não escolheu ser um Malfoy. Às vezes, Draco desejava poder abandonar sua linhagem inteiramente – ser um bruxo comum, de sangue puro, mestiço ou até mesmo nascido de trouxa – qualquer coisa, menos um Malfoy.

Ele estava se dirigindo para a escadaria quando ouviu passos atrás de si. Virando-se, encontrou o corredor vazio. Ele juraria ter visto um vislumbre de cabelos castanhos e encaracolados desaparecer atrás de um pilar, mas sumira num instante. Ele retomou sua caminhada, seus pensamentos vagando para Hermione Granger – cabeluda, sem aqueles dentes de antes, exasperantemente brilhante. Um suspiro escapou dele. Só de *pensar* nela despertava um calor complexo e indesejado.

Durante toda sua vida, Draco foi ensinado que os bruxos de sangue puro eram superiores. Mas essa bruxa desafiou essa crença, desmantelando os preconceitos de seus pais e os seus próprios com lógica implacável. Ela *era* a bruxa mais brilhante de sua idade, e Draco se via incapaz de bani-la de seus pensamentos. Na verdade, ela ocupava um canto de sua mente desde o terceiro ano…

Ele se lembrou da criatura que o atacou, o rosnado desdenhoso. Nenhum de seus capangas ofereceu ajuda. Mas Hermione Granger correu para frente, exigindo que seu professor o levasse imediatamente para a ala hospitalar. Dizer que ele ficou chocado seria um eufemismo.

Seu pai sempre se recusou a curar seus ferimentos, descartando-os como fraqueza. “Apenas covardes sentem dor”, ele zombou, e Draco Malfoy estava determinado a parecer destemido. Mas Hermione demonstrou preocupação. Ela o procurou.

Seu respeito por Granger se aprofundou ainda mais quando ela o socou, bem na cara. Ela era tão gentil, até mesmo com animais, que isso fez seu coração doer. Como um único ser humano poderia ser tão implacavelmente gentil? Era uma pergunta que o assombrava.

A Continuação.