“Precisamos testá-lo”, sibilou Jason, com a voz baixa e urgente. Ele e seus três irmãos se aglomeraram na passagem secreta sob as escadas, a luz fraca projetando sombras longas. Alfred poderia estar em qualquer lugar.
“Concordo. Ele deve ter habilidades meta-humanas”, assentiu Tim, espelhando a intensidade de Jason.
“E que idade *tem* ele?”, acrescentou Dick, andando de um lado para o outro. “Ele tem que ser imortal.”
“Pennyworth tem pelo menos setenta anos”, estimou Damian, com a voz fria e precisa.
“Não sou tão decrépito a ponto de não saber quando os jovens senhores discutem meu nome”, uma voz ligeiramente irritada interrompeu suas especulações. Dick guinchou e instintivamente recuou, desabando no colo de Jason. Lentamente, Jason se virou, espreitando na escuridão.
Damian manteve uma postura impassível, enquanto Tim parecia que poderia desmaiar. Alfred estava simplesmente espanando – espanando as paredes.
“Aconteceu que eu estava espanando os aposentos”, explicou Alfred calmamente. “E tropecei nessa… reunião.”
Os garotos permaneceram tensos, seu choque inicial diminuindo lentamente. Correram para o quarto de Dick, sentando-se no chão e na cama dele. Depois de dez minutos inteiros, Jason falou, gesticulando com as mãos enfaticamente. “Ele sempre está lá na hora certa!”
“Poderia ser coincidência?” Dick perguntou, incerteza obscurecendo seus traços.
“Sim. Uma coincidência,” Tim murmurou, parecendo pouco convencido.
Damian se levantou do chão. “Eu simplesmente acredito que Pennyworth está nos espionando.”
“Mas não saberíamos? Nós todos fomos treinados pelo Batman,” Tim franziu a testa.
Dick balançou a cabeça furiosamente. “Ele também foi treinado *pelo* Batman.”
De repente, Bruce soltou uma gargalhada da porta, assustando seus protegidos.
“O que é tão engraçado?” Jason rosnou, desconfiado.
“Alfred não foi apenas treinado pelo Morcego, ele é *melhor* que o Morcego,” Bruce disse, seus filhos olhando para ele com espanto.
“N-não é possível”, Tim gaguejou, boquiaberto.
“Não acredito que isso esteja correto, Pai. Por que está nos dando informações falsas?”, exigiu Damian.
“Bem, se ele é tão bom, por que não é o Batman?”, apontou Jason.
“Porque, Mestre Jason, meus ossos não são mais o que eram”, Alfred respondeu, emergindo das sombras.
“Há quanto tempo você está aí?”, Dick perguntou, ofegante.
“O tempo todo”, Alfred respondeu, virando para sair.
“O que ele é?”, Tim perguntou, observando o mordomo se afastar.
“Eu não faço ideia”, Bruce suspirou.
~Mais tarde naquela noite~
“Ele poderia ser um robô”, Dick sugeriu.
“Meu Deus! Ele é! Precisamos provar isso, de qualquer forma”, Tim exclamou, sua voz sussurrada com excitação.
“O velho está na cozinha”, Jason informou. “Vamos lá.”
“Não contribuirei para assuntos tão triviais”, Damian bufou.
“Vamos, demônio. Você vem”, Jason agarrou o pulso de Damian, arrastando-o para fora do quarto. Eles se acomodaram na sala, observando a cozinha através de uma transmissão de câmera no laptop de Tim.
Alfred estava cozinhando como de costume. Dick estava prestes a cancelar a missão quando algo inesperado aconteceu. Uma bola de molho de tomate espirrou na lente da câmera, obscurecendo a visão.
Estranhamente, eles não ouviram vidro quebrando, nem nenhum som da cozinha. “Ele jogou isso?” Jason perguntou, confuso.
Tim balançou a cabeça. “Ninguém consegue jogar uma lata daquele ângulo.”
“Bem, Alfred conseguiria. Vamos, antes que nos peguem,” Dick sussurrou. Os meninos começaram a voltar para o corredor.
“Senhores, da próxima vez que me espionarem, por favor, sejam mais discretos,” Alfred apareceu do corredor que eles estavam prestes a entrar. “O jantar estará pronto em cinco minutos, senhores.” E com isso, desapareceu.
“Quem sabe, ele pode ter levitado o molho,” Jason acrescentou, preenchendo o silêncio admirado.
~Cinco minutos depois~
Os quatro meninos estavam incomumente quietos enquanto seu mordomo estava ao lado da mesa, olhando fixamente para frente. “Então… onde está Bruce?” Tim perguntou, detestando o silêncio.
“O senhor Bruce… se foi,” Alfred disse sem emoção.
“Espere, o quê!” Jason gritou.
“Vozes internas, Mestre Jason”, Alfred repreendeu.
“Não vou usar minha voz interna! Você acabou de dizer que Bruce Wayne está morto!” ele gritou ainda mais alto, a voz rachando de fúria.
Alfred não se intimidou. “Não morto… apenas… sumido.” Ele finalmente encarou Jason, o olhar arrepiante.
Jason ficou horrorizado.
“Pennyworth. Traga mais comida”, Damian empurrou rudemente o prato nas mãos do homem e bateu a porta, trancando-a atrás de si.
“Algo está errado. Não é Alfred”, concluiu Tim.
“Então por que se parece tanto com ele?” Jason gritou, à beira do pânico.
“Jay, acalme-se—” Dick foi interrompido pela porta explodindo para fora. Os olhos de Alfred brilharam levemente, depois voltaram ao normal.
“Não tolero jovens mestres malcriados falando pelas costas,” disse ele com uma voz que fazia até o Coringa parar de sorrir.
“É, isso não é o Alfred!” Dick gritou.
“Corram para a caverna!” Tim exclamou, e os outros não precisaram de mais incentivo. Já estavam disparando.
A família improvisada se espalhou no chão da caverna, os procedimentos de bloqueio já ativados. Não havia como o mordomo conseguir entrar.
Damian murmurou algo sobre recuar ser para fracos, mas os outros o ignoraram.
“O que fazemos?” Jason ofegou.
“Precisamos encontrar o Bruce,” Dick decidiu, dando um tapinha nas costas de Jason.
“Essa é a nossa melhor chance,” Tim concordou. “Esperem, e o Damian?”
“Precisamos matá-lo”, Damian declarou.|
Os outros o encararam incrédulos antes de continuar.|
“Tudo bem, Tim e Damian, vocês dois encontrem o Bruce. Eu e Jason seguraremos Alfred”, Dick ordenou.|
Então, como se convocados, Alfred materializou-se das sombras, colocando-se entre os dois mais jovens.|
“Você não vai a lugar nenhum”, ele disse.|
Tim recuou quando Alfred investiu. Damian chutou o mordomo com força na cabeça. Em vez de carne contra carne, houve um estrondo metálico.|
Uma seção do rosto de Alfred caiu para trás, revelando fileiras de peças mecânicas. Damian sibilou, embalando o pé, desmorronando no chão da caverna.|
“Vão!”, Dick gritou, atingindo o robô com seus bastões escrima.|
Tim assentiu e correu para a enfermaria. Damian ficou para trás, cuidando do pé. Quando Tim chegou à enfermaria, ficou chocado com a cena à sua frente. Bruce estava deitado na cama, com um pano amordaçando sua boca, lutando contra as amarras.
Bruce, assim que se libertou, avisou: “Cuidado, atrás de você!”
Tudo ficou preto.
“…E esse foi o meu sonho,” Tim terminou de contar sua história.
Jason soltou uma gargalhada, Dick lançou um olhar preocupado para Tim, e Damian arqueou uma sobrancelha.
“Tenha certeza, meu jovem Tim. Eu não me entregaria nem em um milhão de anos.” Alfred disse, com diversão evidente em seus olhos.
“Então você é um robô?” Tim perguntou. Alfred simplesmente se afastou. “Ei! Você nunca respondeu à minha pergunta!” Tim correu atrás dele.
“Um milhão de anos…” Dick murmurou. “Então ele é um dinossauro imortal.”
“Eu ouvi isso, Mestre Dick.”
===
A/N: Espero que vocês tenham rido tanto quanto eu quando escrevi isso.