Capítulo 3
A pergunta pairava no ar: “Como está até agora?” Um sussurro de pensamento, direcionado a uma audiência invisível. Acho que está meio chato até agora… o que vocês acham?
*Uma semana depois.*
Ponto de vista de Matthew:
“Matt, o novo chefe quer ver todos nós, agora,” Kyle disse, puxando-me junto com os outros em direção ao escritório. A urgência em seu aperto era fria.
“Você acha que ele vai nos demitir?” A voz de Kyle era um murmúrio abafado, seus olhos fixos na porta fechada. Ele olhava fixamente, como se a resposta estivesse gravada na madeira.
“Vamos torcer para que não.” Eu bati firmemente, e Kyle empurrou a porta. Lá dentro, um homem estava deitado na mesa, uma fumaça de um blunt enrolando entre seus lábios. Seus pés estavam apoiados, um desprezo casual pela autoridade.
[Imagem do homem conforme descrito no texto original]
“É isso aí, todos vocês?” Sua voz era áspera, examinando-nos como se fôssemos gado.
“Sim, senhor,” Aaron, o gerente da equipe, respondeu. O chefe assentiu, seus olhos passando por nós, avaliando nosso valor.
“Certo. Vou começar. A partir de hoje, eu sou seu novo chefe, e eu levo isso a sério. Eu quero dinheiro. Aqueles que não conseguem me dar dinheiro serão demitidos. Se os clientes querem ser agradados, vocês os agradam. Se um cliente quer foder, vocês deixam ele foder. Se um cliente quer um strip show ou um lap dance, vocês também fazem. Alguma pergunta?”
As palavras pairaram, brutais e cruas.
Kyle falou, apontando para minha pulseira vermelha. “Senhor, e quanto às limitações? Alguns de nós as têm.”
“Você não ouviu o que eu disse? Se eles não conseguem agradar meus clientes, eles são demitidos. Simples.” A ameaça era fria, eficiente. A implicação, aterrorizante. *Demissão?* Onde eu ganharia dinheiro? Como eu pagaria as contas do hospital?
“D-Demissão?” Eu gaguejei, as palavras travando em minha garganta. O medo era um torno em meu peito. Lágrimas ameaçavam se derramar.
“Sim. Demissão.” A voz do chefe era plana, entediada. “Então, julgando pela sua pulseira vermelha, significa que não pode fazer nenhum negócio. Eu posso deixar você ficar se estiver disposto a pelo menos satisfazer eles com o que eles querem, sem sexo, claro. Então, consegue?” Ele fixou o olhar, seu olhar penetrante. O peso dos olhos dos outros homens pressionava sobre mim.
Incapaz de respirar, minhas pernas fraquejaram. Caí no chão, incapaz de encontrar seu olhar.
“Patético. Você está demitido. Pegue suas coisas se tiver alguma e vá. Aqui está seu último salário. Alguém mais quer sair também? Não? Bom. Voltem ao trabalho.” Ele nos dispensou com um aceno de mão.
Kyle me levantou, me carregando de volta ao nosso ‘dormitório’ compartilhado. Lágrimas fluíram livremente, embaçando minha visão. Eu enterrei o rosto em seu peito, incapaz de falar. *Agora o quê?*
“Shhh… não chore, Matt. Você vai encontrar um emprego melhor. Eu prometo.” As palavras de Kyle eram um conforto vazio. Eu sabia que ele estava mentindo. Quem contrataria um jovem de 25 anos que abandonou a faculdade?
“Eu perdi meu emprego e meu abrigo, Kyle. Onde eu vou ir?”
“Aqui.” Ele pressionou uma pilha de cinquenta em minha mão. “Isso deve cobrir um pequeno apartamento por meio ano.”
Eu balancei a cabeça, devolvendo o dinheiro. “Eu não posso aceitar isso.”
“Por favor, Matt. Você precisa mais do que eu agora. Eu posso fazer mais facilmente.”
“Eu não posso aceitar.”
“Por favor, pegue pelo menos uma nota de cinquenta. Por favor? Somos amigos, certo? Amigos se ajudam quando um está em necessidade.” Sua voz estava carregada de desespero.
A culpa se contorceu dentro de mim. Eu peguei a nota de cinquenta, apertando-a com força na minha mão. “Obrigado, Kyle.”
“De nada, Matt. Cuide-se. Venha me procurar se precisar de ajuda. Eu estarei aqui.” Ele enfiou a nota profundamente no bolso da minha calça, junto com o travesseiro.
“Obrigado por ser meu amigo,” eu sussurrei, pressionando a testa contra o peito dele.
“Cuide-se, garoto.” Eu assenti e saí para as ruas. Estava nevando. Um arrepio percorreu meu corpo. Espero que haja algum papelão por perto. Caminhando para trás do supermercado onde eu costumava trabalhar, encontrei um grande pedaço de papelão. Felizmente, era grande o suficiente para cobrir todo o meu corpo.
Eu coloquei o travesseiro no banco de metal frio e me encolhi em posição fetal, então cobri-me com o papelão. Espero que não fique muito frio esta noite.
~♡~♡~♡~♡~♡~♡~♡~♡~♡~
Ponto de vista de Dylan:
“Pai! Por favorrrr! Podemos ir ao parque? Está nevando e eu preciso verificar os patinhos!” Caydon estava choramingando há uma hora, até recusando seu bolo – sua sobremesa favorita.
“Já é tarde, Caydon. Eu te levo amanhã.”
“Não, pai! Eu quero ir agora! Deixe-me apenas verificar os patinhos. Por favor? Apenas trinta minutos?”
“Ugh…tudo bem. Vamos. Pegue seu casaco, luvas e gorro.”
“Yeah!” Ele gritou, correndo para pegar suas roupas.
~♡~♡~♡~♡~♡~♡~♡~♡~♡~
“Onde estão os patinhos, pai? Por que não consigo encontrá-los?”
“Eles já foram para casa, Matt.”
“Oh… pai, olha! Alguém está dormindo ali!” Ele apontou para um banco, uma figura encolhida sob um pedaço de papelão. “Nós temos que ajudá-lo, pai! E se ele congelar?! Nós temos que trazê-lo para casa!”
“Caydon, não podemos trazer estranhos para casa. E se eles quiserem ser deixados em paz?”
“Podemos dar-lhe algum dinheiro? Ele pode comprar um chocolate quente para se aquecer, como você sempre faz um para mim quando estou com frio.”
Eu estava feliz que ele fosse tão gentil.
“Tudo bem, Matt. Aqui.” Eu entreguei a ele uma nota de dez. Ele correu para a figura adormecida, levantando levemente o papelão. Depois de um momento, ele o cobriu novamente.
“Ele é bonito, pai.” Ele comentou, correndo de volta para mim.
“Bonito?”
“Sim! Mas magro… como Xavier.” Ele choramingou suavemente. Xavier havia morrido de câncer há meio ano. “Você acha que ele vai morrer, pai?”
“Vamos torcer para que não, certo?”
“Certo, pai.”
“Vamos para casa.” Eu peguei Caydon em meus braços, abraçando-o com força. Ele manteve os olhos fixos na figura adormecida até que ela desapareceu de vista.