Mansão Oberoi
Uma manhã abençoada banhava a Mansão Oberoi com luz dourada. Annika estava em frente ao espelho, vestida com suas vestes nupciais. Seus olhos cor de avelã, geralmente brilhando com travessura, cintilavam com uma felicidade tranquila – uma felicidade que parecia, francamente, avassaladora. Hoje, seu sonho estava se tornando realidade. Hoje, ela se casaria com Shivaay. Não era apenas felicidade; era como flutuar acima do mundo, cercada por uma nuvem de alegria.
Mas o fantasma de seu passado, o peso de sua família, ameaçava extinguir aquela luz. Ela dispensou o pensamento com um balanço frustrado de cabeça.
Nervos se enrolavam dentro dela, uma ansiedade familiar amplificada pela importância do dia. Ela estava, inegavelmente, aterrorizada. Gauri ajustava cuidadosamente o chunri, murmurando uma melodia suave.
“Anni”, murmurou ela, “Você está nervosa. Totalmente, desesperadamente nervosa.”
A voz de Annika era apenas um sussurro.
“Gauri, estou nervosa. Além nervosa. Tipo, ‘fugir para o Himalaia’ nervosa.”
Ela ponderou, andando de um lado para o outro, inquieta.
Gauri riu suavemente. “Anu, acalma-se, querida. Nunca te vi tão ansiosa, e honestamente, é um pouco divertido.”
Mas Annika não podia conter o pânico crescente. Ela se levantou de sua cadeira, agarrando o lehenga vermelho bordado com zari dourado, e começou a andar de um lado para o outro. Tudo o que ela queria era que o drama acabasse. Por agora, mais do que qualquer coisa, ela precisava ver Shivaay, sentir sua presença calma. Ele sempre sabia como acalmar suas ansiedades, como ancorá-l-a quando ela sentia que estava espiralando. Ele havia sido seu porto seguro nos últimos três anos.
“Abhi?” Gauri perguntou, franzindo a testa. “Você estará no mandap em minutos. Tenha paciência.”
A frustração de Annika explodiu. “Paciência foi buscar óleo!” ela declarou. Sem outra palavra, ela agarrou a mão de Gauri e praticamente a arrastou em direção ao quarto de Shivaay, pretendendo esgueirar-se por qualquer olhar vigilante.
Quarto de Shivaay
Shivaay, enquanto isso, estava se preparando alegremente, antecipando a chegada de Omkara para que eles pudessem caminhar juntos até o mandap.
Uma batida ecoou na porta. Ele presumiu que era Omkara e puxou a porta, deixando a pessoa entrar. Mas em vez de Omkara, Annika estava ali, seus olhos em chamas.
Ela havia permitido que fosse puxada para dentro, seu rosto ruborizado de determinação.
“O que foi isso, Shivaay?” ela exigiu, as mãos nos quadris. “Quem puxa alguém assim?”
Shivaay ficou olhando, convencido de que estava sonhando. Ele pensou que estava vendo Annika em todos os lugares. Sua avó havia proibido que eles se vissem por dois dias. Ele havia estado vendo ela em todos os lugares, em todos os rostos.
Annika, perturbada por sua expressão, olhou no espelho. Ela corou ao ouvir que ele podia vê-la em todos os lugares. Ela afastou esses pensamentos e gritou em seu ouvido.
“Shivaay, eu sou sua Annika. E você me vê em todos os lugares, huh!”
Ela o provocou e isso realmente funcionou. Suas bochechas ficaram levemente rosadas.
“Ok. Eu vim aqui porque mujhe aap se baat karni hai,” ela disse em um tom muito sério. Shivaay havia pensado em flertar com ela, mas ele entendeu sua seriedade e a deixou falar.
“Shivaay, você tem certeza sobre este casamento?” ela perguntou, sua voz tremendo.
Shivaay piscou, confusão obscurecendo suas feições. “Por que você está perguntando isso?”
“Você tem certeza de que não se arrependerá de sua decisão? Não estou me casando com você porque penso que sou sua responsabilidade, ou alguma obrigação?”
A pergunta pairou no ar, crua e vulnerável. Annika era sempre um desastre. Ela era muito boa em tomar decisões inteligentes e vestiais para sua empresa, mas na vida pessoal, ela era um desastre.
Shivaivos agarrou suas mãos, seu aperto firme e reconfortante. “Annika, por que você está fazendo essas perguntas? Você sabe que nunca me arrependeria disso. Eu te amo, jaan.”
A voz de Annika era suave, quase inaudível. “Eu também te amo, Shivaay.” Ela confessou e o abraçou e então continuou.
“Mas ainda assim, me assusta. Você tem certeza de que não vai ressentir-me? Uma garota com problemas familiares, uma mulher que perdeu sua força, um naufrágio emocional que pode se tornar um fardo… Alguém que falha em pensar nos outros quando está ferida?”
Shivaay não sabia o que dizer. Ele queria apagar as sombras de seu passado, protegê-la da dor que a assombrava.
A voz de Annika caiu em um sussurro, carregada de culpa. “Especialmente se ela for culpada pela morte de sua irmã… e essa culpa for parcialmente verdadeira?”
As palavras pairaram entre eles, pesadas de tristeza não dita.