O homem uma vez conhecido como o Soldado Invernal se moveu pelas ruas frígidas de Nova York, um fantasma em seu próprio tempo. Seu passado não era apenas uma memória apagada; era um vazio, um espaço oco onde uma vida viveu. Ele usava os restos de seu antigo eu - a máscara que ocultava parte de seu rosto, um lembrete sombrio da pessoa que ele tinha sido. Alegando ter perdido tudo, ele se viu à deriva, sem direção.
Ele não tinha destino, não tinha confidente. A programação meticulosa da HYDRA o deixou fraturado, despojado de qualquer história pessoal. A organização aperfeiçoou a arte de apagar, substituindo sua identidade por camadas de condicionamento e controle.
Ele continuou sua caminhada sem rumo, eventualmente parando em um beco deserto. Ele puxou a máscara livre, segurando-a em sua mão enquanto procurava um canto escondido, longe de olhares indiscretos. A hora tardia ofereceu uma aparência de privacidade, um alívio temporário do escrutínio de curiosos. A dor pulsava em seu braço, as contusões desabrochavam em sua pele e uma ferida de bala fervilhava em seu abdômen, uma lembrança cruel de sua última missão. Ele podia suportá-lo, curar-se mais rápido do que qualquer homem comum. Mas ele se tornou dependente das ministrações da HYDRA, a eficiência estéril de suas baías médicas. Eles cuidaram de suas feridas, limparam sua memória e, em seguida, congelaram-no, pronto para ser implantado novamente. O ciclo tornou-se sua prisão..
Desta vez, porém, ele tinha quebrado. Desta vez, ele correu.
Ele não entendeu os fragmentos de sua última missão. O homem que ele havia sido enviado para matar o chamou de “amigo”, oferecendo-se para morrer em vez de infligir danos. Ele falou um nome – Bucky – mas o único nome que o homem conhecia era “Soldado”. O Soldado Invernal.
O homem balançou a cabeça, tentando silenciar os pensamentos florescentes que ameaçavam dominá-lo. Ele parou diante de uma fileira de apartamentos, decidindo arriscar entrar em um, na esperança de encontrar algo para aliviar seu sofrimento.
Ele subiu através de uma janela de cozinha aberta, erguendo-se na bancada. Ele perdeu o equilíbrio, a neblina de perda de sangue nublando sua visão. Ele caiu no chão, o impacto embaralhando-o com um baque maçante.
Ele não registrou o barulho, muito consumido pela agonia de sua ferida. A dor parecia crua, exposta. Ele se sentiu vulnerável, despojado da armadura que a HYDRA havia fornecido. Um anseio desesperado surgiu – um estranho desejo pela eficiência fria de seus médicos, o alívio entorpecedor de suas pílulas.
Ele se levantou, seus instintos aperfeiçoados por anos de treinamento. Ele começou a revistar os armários, procurando algo para entorpecer a dor. Os comprimidos, ele lembrou, os que lhe deram. Ele ainda era um assassino, treinado para reagir, para antecipar. Ele sabia quando estava sendo observado, quando o perigo estava próximo.
Ele se virou, instintivamente bloqueando um soco jogado por uma mulher que havia saído das sombras. Ela deu um passo atrás, estudando-o com uma curiosidade cautelosa. Ele encontrou seu olhar, levantando uma sobrancelha em um desafio silencioso.
Ela não se inclinou, com a mão firme, uma pequena faca de bolso brilhando na luz fraca. Ela levantou, sua empresa de voz, "Quem é você? O que você quer?"