Ecos Carmesins

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A dor da ausência é uma cruel mestra. Ela revela quanto valorizamos algo somente depois de perdê-lo irrevogavelmente. Ser despojado de si mesmo, ansiar por um passado que não se pode mais alcançar… é um luto que corrói as bordas da sanidade. Anseio por recuperar a pessoa que eu era, mas as correntes do tempo fluem em uma só direção. Tudo começou em uma noite tranquila, uma noite que estilhaçou o mundo que eu conhecia. Não há retorno à margem que deixei para trás.

❮ Flashback ❯

As luzes da rua lançavam longas sombras enquanto eu caminhava sozinha para casa. O crepúsculo sangrava na penumbra, e uma ansiedade familiar se apertava em meu peito – o medo dos repretes de meus pais por chegar tarde. Eu havia prometido à minha amiga que caminharia com ela, mas ela havia estado ausente naquele dia, deixando-me para navegar pelas ruas escuras sozinha. Duas vezes me perdi, vagando sem rumo pelos labirintos de ruas.

Então, ouvi passos atrás de mim. Olhei para trás, mas vi apenas o céu índigo e a silhueta imponente de um edifício. A lua pendia brilhante e prateada, salpicada de estrelas cintilantes.

Era uma visão de tirar o fôlego. Por um momento, permiti-me absorver a beleza, gravando a cena em minha memória – um esboço esperando para nascer na tela.

De repente, uma figura emergiu das sombras, correndo em minha direção. Ela me agarrou, seu aperto impossivelmente forte, sufocando qualquer tentativa de me debater. O pânico me invadiu. Chutei e socuei, desesperada para me libertar, mas sua força era avassaladora. Ela me curvou para frente, forçando minha cabeça para o lado, expondo meu pescoço. Uma dor lancinante floresceu quando algo afiado perfurou minha pele. Gritei, mas uma mão abafou minha boca, silenciando-me. Sangue quente escorreu pelo meu pescoço, e uma onda vertiginosa me invadiu.

Então, a escuridão.

A figura me deixou cair, e eu caí no chão. Através da penumbra, vi-o se ajoelhar.

“Sinto muito…” ele sussurrou, sua voz ofegante. Estava tremendo, seu corpo tremendo sob o peso de suas ações. Era um homem.

“Sinto muito…” Ele soluçou novamente, e eu cambaleei para me levantar. Ele não se moveu para me ajudar. Desorientada, tropecei para longe, correndo cegamente em direção ao único lugar que conhecia – casa.

(Fim do Flashback)

Desde aquela noite, tenho lamentado o fantasma de meu antigo eu. Carregado um segredo, um fardo que nunca ousei compartilhar, nem mesmo com minha própria família.

Suponho que este seja o preço da imortalidade. A maldição de ser um vampiro. Mas oh, como eu gostaria de ter tido uma escolha.

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