Dois anos haviam passado. O mundo estava fragmentado por conflitos, sombreado pela ameaça constante de ataques de dragões.
A explosão inicial sacudiu os alicerces do pequeno quarto de Kaida, mas os tremores se acalmaram em uma dor surda e familiar. Ela estava encolhida em sua cama, não se acovardando, mas observando. Os ataques eram frequentes agora, e Kaida, mesmo em sua jovem idade, compreendia o caos. Os dragões eram simplesmente… razoáveis em sua fúria.
Então veio o som de madeira lascando. Um dragão irrompeu pela janela, não uma besta madura de guerra, mas uma cria, mal maior que um gato doméstico. Aterrissou desajeitadamente, espalhando estilhaços de vidro. Não rugiu em triunfo, mas gemeu, um som desesperado. Rastejou sob a cômoda desgastada, enrolando-se em uma bola, tremendo.
Kaida observou-o com uma curiosidade distante. O medo do dragão bebê era palpável. Seus movimentos eram frenéticos, hesitantes, então colapsando em uma postura defensiva. O ar parecia vibrar com sua ansiedade, um medo cru e instintivo que Kaida sentia quase como um eco em seu próprio peito.
Ela inclinou a cabeça. Dragões sempre a fascinaram. Deslizou para fora da cama, seus pés pousando suavemente no chão de tábuas desgastadas. Um leve estremecimento enquanto se movia, mas o olhar do dragão se fixou nela. Ela encarou de volta, absorvendo cada detalhe. Alcançou seu caderno de esboços e carvão, seus dedos já coçando para capturar a essência da criatura. O cheiro do carvão, levemente adocicado, preenchia o ar.
O desenho surgiu rapidamente. O dragão era um banho de azul pálido, suas asas um delicado azul celeste mesclado com violeta. Grandes olhos de cor galáctica continham uma profundidade surpreendente. Pelos forravam a parte de trás de suas pernas, fluindo em uma cauda de comprimento médio com a mesma pelúcia macia na ponta. Um leve símbolo do infinito brilhava perto de sua asa. Era uma crihe mais diferente de qualquer outra que ela já havia visto. A textura da pelagem, quase translúcida, parecia vibrar com uma energia suave.
“O que *você* é?” murmurou, esboçando furiosamente. Uma nova espécie, talvez? A textura do carvão sob seus dedos era quase como seda.
Ela abaixou seu caderno de esboços e se aproximou da cômoda, seus movimentos lentos e deliberados. O dragão bebê gemeu, instintivamente recuando para a escuridão. O quarto estava silencioso, exceto pelo leve crepitar da madeira sob seus pés.
“Está tudo bem,” Kaoca disse suavemente, sua voz mal um sussurro. “Eu não vou te machucar.” Estendeu a mão, palma aberta, oferecendo um convite silencioso. “Estou do seu lado.”
Hesitantemente, o dragão se desenrolou. Rastejou para frente, farejando a mão de Kaida com curiosidade cautelosa. Um sorriso tocou seus lábios. Ela acariciou suas escamas suavemente, e um ronronar baixo ressoou em seu peito. O calor das escamas era surpreendentemente suave contra seus dedos.
“Aw. Você é tão doce, como um Anjo!” Kaida respirou, sua voz cheia de admiração. “Eu vou te chamar de Anjo, certo?”
O dragão respondeu lançando-se sobre Kaida, cobrindo seu rosto com lambidas afetuosas. Ela riu, um som brilhante e alegre que ecoou no quarto. O aroma de escamas e carvão se misturava, criando um perfume único e reconfortante.
Outro rugido ecoou do lado de fora, mais alto, mais ameaçador. Anjo respondeu com um pequeno rugido próprio. Ela correu para a janela, então fez uma pausa, voltando para Kaida.
Kaida se sacudiu, levantando-se. Caminhou até Anjo e abraçou-a com força. “Tchau, Anjo. Espero que Thor faça nossos caminhos se cruzarem novamente.” Ela sorriu, e Anjo se lançou para o céu, seu rugido se dissipando na distância. O vento frio da janela acariciou seu rosto.
Kaida observou-a ir, observando todos os dragões fugirem. A sombra da criatura se estendia sobre o quarto, uma lembrança tangível de sua conexão.
“Eu realmente espero que nos encontremos novamente, Anjo.”
Era um momento tranquilo, um segredo compartilhado entre uma garota e um dragão. Um começo. O silêncio do quarto era agora preenchido com uma esperança suave, uma promessa de reencontro em meio ao caos do mundo.