A Ilusão da Escolha

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São três da manhã..

Nem uma vez... um estado..

Estou sentado na frente das minhas telas..

Não apenas uma... várias janelas abertas, como se estivessem tentando me convencer de que sou "produtivo"... que estou "movendo"... que algo está realmente acontecendo..

Mas a verdade é mais simples..

Eu estou preso.

Eu tenho obrigações..

Uma longa lista... maior do que o meu dia, maior do que a minha capacidade, maior do que qualquer ilusão de organização que eu finjo ter.

Eu sei o que deveria estar fazendo..

Mais do que isso...

Eu conheço a ordem..

O que importa... e o que importa mais..

Mas, como sempre, desta vez não vou fingir o contrário.—

Eu escolho o que menos importa.

Toda vez..

Não porque eu não entendo...

Mas porque eu entendo muito bem.

O cinzeiro está cheio.

Não apenas em camadas..

Uma linha do tempo de incontáveis horas, pensamentos inacabados e decisões nunca tomadas..

A caneca de café fica na minha frente...

Frio... meio cheio... ou meio vazio - não importa.

Eu não bebo para acordar.

Eu bebo para adiar o sono..

E isso é uma diferença perigosa.

Eu olho para ele...

E considere seriamente algo completamente irracional:

Devo me levantar e fazer outra xícara... ou não?

Tudo isso... enquanto tenho trabalho para entregar..

Tarefas à espera.

Pessoas esperando.

Um pequeno futuro se formando - ou atrasando - por causa deste momento exato.

E ainda assim...

Minha mente não está debatendo o trabalho.

Minha mente está debatendo o café..

E esse é o problema.

Não é falta de tempo.

Não muito trabalho..

Nem mesmo exaustão..

O problema é que a voz interior que te convence a pequena decisão... importa..

Que a xícara de café... merece análise..

Que se levantar ou ficar sentado... vale a pena pensar..

Como se estivesse tentando escapar... mas inteligentemente..

Não estou evitando o trabalho..

Estou evitando começar..

Começar é o momento mais perigoso..

Porque assim que você começa...

Não há mais desculpas..

Não mais "Vou começar em um minuto."

Não mais, deixe-me organizar meus pensamentos.

Só resta uma coisa:

A verdade.

Você pode fazer isso... ou não?

Eu acendo outro cigarro..

Não porque eu queira...

mas porque minha mão precisa de algo que não seja o teclado.

A fumaça sobe lentamente...

Desaparece...

Assim como minhas intenções todas as noites.

Eu olho para a tela.

As tarefas não desaparecem..

O tempo não faz uma pausa.

E o relógio... não se importa..

Três da manhã..

E a decisão ainda está presa entre duas escolhas ridículas:

Para escrever...

ou para fazer outra xícara de café.

Eu ri silenciosamente..

Porque eu já sei a verdade...

E eu sei o resultado.

Eu vou me levantar.

Eu vou fazer o café.

Eu voltarei..

E eu vou sentar...

E pense...

E fumar...

e adiar de novo.

Não porque eu sou preguiçoso..

Mas porque...

Eu ainda não decidi ser sério o suficiente..

E a mentira mais perigosa que vivo todos os dias:

Que ainda tenho tempo para decidir mais tarde..