Reconciliação no Vazio

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Uma cabeça repousava contra o metal frio da parede da nave. Um suspiro escapou, narinas dilatando com uma emoção reprimida. Os olhos se abriram, um violeta vibrante intensificado pelas sombras, salpicados de cinza. Cabelos negros, rebeldes e quase longos, roçaram sua testa, fazendo cócegas na nuca. Ele se levantou abruptamente do assento na parte traseira da nave, movendo-se em direção à ponte.

“Keith,” uma voz, firme mas gentil, veio de trás da cadeira do piloto. Krolia. “Eu pedi para você descansar.” O suspiro de Keith era cansado.

“Eu sei, Krolia. Eu só…” Ele interrompeu a frase, incapaz de articular a inquietação que o corroía. Krolia virou a cadeira para encará-lo. Keith desviou o olhar. “Não consegui dormir. Tentei.” Sua voz rachou, crua de honestidade. Krolia ofereceu um pequeno sorriso.

“Tudo bem. Eu compartilho da mesma aflição. Insônia não é algo para se preocupar.”

“Ei, espera, eu não disse—” Keith parou, confuso. Ele não havia expressado sua luta, mas Krolia parecia saber. Isso apenas aprofundou sua vulnerabilidade. Ele se aproximou do painel de controle, estudando os diagnósticos da nave.

“Às vezes, mães simplesmente *sabem*”, Krolia explicou, sua voz suave. Keith assentiu, mantendo uma fachada distante e hostil. Krolia franziu a testa, machucada por sua frieza. Ela voltou sua atenção para os controles.

“Quanto falta para a base da Blade?” Keith perguntou, uma clara tentativa de desviar o assunto. Krolia suspirou.

“Keith, não podemos evitar isso para sempre—”

“Podemos tentar, e muito bem”, Keith retrucou, seu tom frio. Ele se afastou, olhando para a nébula giratória além da vigia.

“Keith.” A voz de Krolia estava carregada de dor. “Eu sei que isso nunca realmente compensará o que eu fiz, mas—” Sua voz tremeu, e lágrimas embaçaram seus olhos, surpreendendo ambos. “Eu sinto muito, de verdade. Nunca deveria ter te deixado, e eu sei disso há tanto tempo. No momento em que deixei você e seu pai na Terra, já me arrependia. E—”

“Então por que você não *voltou*?” A voz de Keith explodiu, carregada de fúria. Lágrimas ameaçavam se derramar, mas ele lutou para contê-las. “Você tem ideia de como era minha infância? Me perguntando quem você era, que tipo de monstro poderia abandonar o marido e o filho? Você destruiu o pai. Ele tentou explicar, disse que você não tinha escolha, que estava fazendo o necessário. Eu não acreditei nele. Eu *sabia* que você poderia ter voltado quando quisesse!” Ele se virou, incapaz de suportar seu olhar, lágrimas correndo pelo rosto. Ele finalmente havia permitido que uma fração de sua dor aflorasse.

“Você tem todo o direito de estar chateado”, Krolia disse suavemente. “Mas você está errado sobre uma coisa. Eu *não podia* voltar. Acredite em mim, eu queria, tão desesperadamente que meu coração se partiu por saber que nunca mais veria você crescer. Eu nunca poderia ver você andando de bicicleta, aprendendo a escrever seu nome, nem dizer seu nome.” Ela fez uma pausa, sua voz embargada. “Eu não podia voltar porque, se eu desertasse a Blade, eles me caçariam, me massacrando no local. E fariam o mesmo com você e seu pai.”

A compreensão surgiu. Keith sentiu um lampejo de perdão, seguido rapidamente por uma realização arrepiante.

“Então por que você veio à Terra em primeiro lugar?”

“A Blade queria avaliar o progresso da Terra. Eu fui enviada para observar, para garantir que Zarkon não tivesse danificado o planeta de forma irreparável. Passei anos viajando, conhecendo pessoas, experimentando novas culturas. Então conheci seu pai.” Ela terminou, suas lágrimas secando, um sorriso frágil se formando enquanto revivia memórias felizes. Keith permaneceu virado, incapaz de enfrentá-la. Krolia se levantou lentamente, suas pernas rígidas de tanto tempo sentada. Antes que Keith pudesse reagir, ela o envolveu em um abraço apertado. Normalmente, ele teria resistido, mas estava exausto demais para lutar. Ele se entregou ao abraço, lágrimas fluindo livremente.

“Nunca mais vou te deixar, Keith”, ela sussurrou em seu ouvido. “Juro que prefiro morrer a quebrar essa promessa.” Keith assentiu, sua emoção crua e exposta. Krolia se afastou gentilmente, limpando uma lágrima de sua bochecha.

“Bem, Keith”, ela disse, sua voz mais suave agora, buscando construir uma ponte entre eles. “O que você tem feito nesses últimos anos? Como você acabou aqui?”