O ar no navio estava cheio de tensão. Peter, geralmente rápido com uma piada, ficou em silêncio, com a mandíbula fechada. Rocket, alheio ou simplesmente consumido por sua própria fúria, não pediu desculpas. O argumento tinha sido sobre os controles de pilotagem, um console quebrado provocando uma troca familiar e volátil. Mas Rocket havia cruzado uma linha, arrastando a mãe de Peter para a briga.
“Você é tão rude! Oh, desculpe, eu esqueci que você não tinha uma mãe para lhe ensinar algumas maneiras!” Rocket gritou, as palavras pousando como pedaços de vidro. Peter não tinha respondido, seu rosto uma máscara de dor atordoada. Os outros na sala – Gamora, Drax, até Groot – reconheceram a transgressão, o peso dela se estabelecendo sobre eles como uma mortalha. Rocket, perdeu em sua respiração coletiva, parecia ter perdido em sua raiva..
Eles se dispersaram depois disso, buscando refúgio em isolamento. O acordo não falado era dar-lhes espaço, para deixar o calor se dissipar. Muito tempo gasto juntos, muita proximidade, tornou-se um terreno fértil para irritação.
“Por que o coelho parece chateado?” Thor perguntou, passeando na ponte. A tensão ainda era palpável, um zumbido silencioso e vibrante. Gamora suspirou, passando uma mão pelo cabelo verde. “Ele e Peter entraram em uma discussão. Rocket levou muito longe.”
“Onde está Quill agora?”, perguntou Thor, com a voz cheia de preocupação..
“Eu acho que ele está em seu quarto.” Gamora apontou para o corredor mal iluminado. Thor assentiu, um lampejo de determinação em seus olhos. Ele sabia, instintivamente, que Peter precisava dele. Outros poderiam oferecer conforto temporário, mas apenas Thor poderia realmente alcançá-lo em momentos como esses.
A sala estava envolta em escuridão, a única luz que emanava de uma única lâmpada de baixa potência. A silhueta de Peter estava espalhada na cama, de frente para longe da porta, fones de ouvido apertados sobre seus ouvidos. O pulso fraco da música flutuou para o corredor.
Thor sentou-se na borda do colchão, perto o suficiente para Peter sentir o peso de sua presença. Ele esperou pacientemente, permitindo que Peter o reconhecesse. Depois de um momento, Peter removeu seus fones de ouvido, seus olhos vermelhos e inchados.
“O quê?”, perguntou Pedro, com a voz áspera.
“Gamora me contou o que aconteceu. Você quer falar sobre isso?” Thor perguntou gentilmente, com a mão pairando sobre as costas de Peter. Peter sentou-se, piscando sobre as luzes. A evidência de lágrimas foi gravada em seu rosto.
"Ele mencionou minha mãe", Quill engasgou, sua voz atada de dor.
A mão de Thor se fixou no ombro de Peter, um peso reconfortante. “Eu sei o quão sensível você fica quando ela é mencionada. Mas ele estava com raiva, as pessoas dizem coisas que não querem dizer quando estão com raiva.”
Peter agarrou uma fotografia desbotada de sua mãe, seus dedos traçando as bordas desgastadas. “Eu sei que você sente falta dela. Ele não quis dizer isso.” Ele cheirou novamente, sua voz rachando. “Ainda dói.”
“Eu sei que sim, baby. Eu sei.” Thor puxou Peter para um abraço, um “Thunder Hug” como ele o chamava. Uma carga estática suave atravessou o corpo de Peter, fazendo com que ele risse. Foi um gesto bobo e impulsivo, mas muitas vezes quebrou a tensão. s vezes, porém, apenas atrasou a inevitável onda de tristeza.
Depois de um momento, Thor pressionou a testa contra a de Peter. “Vamos tirar sua mente dela”, murmurou, escovando um beijo suave contra os lábios de Peter. “Vamos olhar para o céu. Não fazemos isso há um tempo, vamos fazê-lo agora.”
Peter não se mexeu. Ele afundou de volta nos travesseiros, um gemido escapando de seus lábios. “Eu realmente não sinto vontade.”
Thor suspirou, conhecendo bem a linha teimosa. Ele aprendeu a navegar, a aceitá-la como parte do pacote. Mas isso não diminuiu seu amor pelo Senhor das Estrelas. “Tudo bem, você me fez fazer isso, querida.” Em um movimento rápido, Thor pegou Peter por cima do ombro e se dirigiu para a porta.
“Nós estamos indo para uma caminhada”, Thor anunciou com um sorriso enquanto passava pelos outros..
“Não, não estamos”, protestou Peter, com a voz abafada contra o ombro de Thor. Os outros trocaram olhares de interrogação, depois um sorriso.
Seu ponto de observação de estrelas estava no telhado do navio. As estrelas se estendiam acima delas, uma vasta e brilhante extensão. “Por que você tem que ser tão teimoso?”.
“Você ama isso.” Peter sorriu levemente.
"Sim, eu faço", Thor respondeu, inclinando-se para beijar os lábios de Peter. "E eu amo esse seu sorriso." O calor dos lábios de Thor contra o seu próprio perseguiu a picada persistente das palavras de Rocket. Por um momento, banhado na luz das estrelas, Peter sentiu o conforto familiar de pertencer, de ser mantido, de ser amado. A escuridão não havia desaparecido completamente, mas tinha suavizado, contorcido com um brilho de esperança.