O Leilão

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"Valentina!" A voz da minha mãe foi arrancada do quarto..

"Estou indo!" Eu liguei de volta, correndo para o quarto dela com uma tigela fumegante de sopa e sua medicação. "Aqui." Ela se sentou, com a mão trêmula enquanto engolia os dez comprimidos necessários para o tratamento do câncer.

"Você decidiu?" ela perguntou, com a voz fraca como um sussurro.

"Não, mamãe. Eu só... eu não acho que estou pronta." Eu falei suavemente, observando sua luta com cada andorinha.

"Querida, eu quero melhorar", ela respirou, seus olhos implorando.

"Eu sei, e estou fazendo tudo o que posso.

"Você está com medo?"

"Fazer sexo com um estranho... não assusta ninguém?" As palavras pareciam cinzas na minha boca.

"Eu faria sexo com um bilhão de estranhos se isso significasse que eu era melhor", ela riu, um som oco.

Uma lágrima escorregou pela minha bochecha. "Sinto muito, mamãe, que estou sendo egoísta. Eu vou fazer isso. Farei qualquer coisa para promover sua pesquisa. Eu sinto muito."

"Está tudo bem, querida, a decisão é sua, apenas faça rápido."

"Tudo bem," eu suspirei, o peso do pedido dela me esmagando. "Eu vou fazer isso."

Um sorriso fraco tocou seus lábios enquanto ela tomava outro gole de sopa. "Vou ligar para John mais tarde e dizer a ele para postar o site."

"Faça agora", ela disse, sua voz muito rápido, muito urgente.

"Por quê?"

"Então mais pessoas veem isso."

"Ok," eu disse, minha voz mal sussurrou. Eu puxei o meu telefone, me preparando. Quando John respondeu, eu mantive meu tom mesmo. "Ei, John, hum, eu decidi que... eu vou fazer isso. Você pode postar o site. Sim, me ligue quando estiver feito - oh ... você já fez isso? Ok. Bem, obrigado. Eu vou falar com você mais tarde."

Olhei para a sopa dela, o vapor desaparecendo. Eu vi como ela mexeu a colher através do caldo de resfriamento. Ela nem estava provando. Eu tentei mergulhar meu dedo na sopa, então ela estava deixando esfriar. "Obrigado, baby" ela beijou minha mão.

Eu consegui um sorriso fraco. "Continue comendo." Eu me levantei e saí da sala, a dor oca no meu peito crescendo a cada passo.

Há três anos, minha mãe foi diagnosticada com câncer de mama. Ela tinha se transformado em devastação, convencida de que morreria em meses, e deixaria seu emprego para perseguir a alegria fugaz. Ela não tinha economizado dinheiro, e agora estávamos nos afogando em dívidas, eu nos apoiando enquanto fazia malabarismos. Eu só esperava que ela tivesse pelo menos desfrutado seus últimos momentos de liberdade, porque ela não teria muitos mais..

"Vou trabalhar", gritei da sala de estar.

"Tudo bem, baby, fique segura. Eu te amo."

"Amo você também", eu murmurei antes de bater a porta atrás de mim.

Os dias eram longos, tristes, conversavam com os clientes, arrumavam caixas, ajudavam as pessoas a encontrar tênis para esconder o funk dos pés..

Depois do trabalho, quando dirigi para casa, meu telefone tocou com uma ligação do John. "Eu coloquei o site, e vamos realizar o leilão amanhã."

"Amanhã? Não é um pouco cedo?" Eu perguntei, recusando a música.

"Sim, mas as pessoas querem você, Valentina.

"Ok," eu suspirei, segurando o volante.

"Você está bem?", ele perguntou..

"Você ficaria bem?"

"Bem..." Ele riu, um som que me irritava. "Se eu fosse virgem e as pessoas quisessem pagar por mim, eu ficaria feliz."

"Eu sei que você faria." Minha voz era plana, desprovida de emoção. "Eu não quero fazer isso."

"Então não."

"Mas minha mãe morreria."

"Isso seria uma tragédia?"

"Talvez para algumas pessoas."

"Nem mesmo as pessoas que importam", ele quebrou, um som molhado - como alguém mastigando - filtrando através da linha telefônica.

Eu suspirei, olhando para o meu telefone como se fosse ele. "Ela praticamente me implorou para fazer isso. Ela não quer morrer."

"Nem os prisioneiros."

"Ela não é uma prisioneira."

"Você continua me dizendo isso, mas eu não acredito em você. Tenho certeza que a instalação correcional da mulher está faltando alguém."

Eu ri, um som amargo. "Que seja. Eu tenho que ir." Eu puxei na minha entrada, cortando a resposta dele..

"Tudo bem, até mais tarde."

"Adeus." Desligei, entrei e verifiquei minha mãe. Ela já estava dormindo. Peguei sua tigela de sopa intocada. Ela nem tinha comido.

Eu lavei e coloquei na máquina de lavar louça. Depois fui tomar um banho, torcendo meu cabelo em uma trança, puxando meu capô sobre minha cabeça. Tentei dormir, mas o sono não viria.

Eu não posso acreditar que as pessoas me querem tão mal. Hospedar um leilão já... é insano. Eles podem nem me querer, no entanto. Eles vão dizer que eu sou feio, ou muito gordo, ou... eles vão vir com alguma coisa. Eu não estou animado para amanhã. Eu queria me apaixonar por alguém, para ter relações sexuais quando *eu * estava pronto. Mas eu ainda não estou pronto. Nem mesmo perto..