O trem de metrô sacudiu, arrancando Leo dos seus pensamentos. Ele piscou, seu olhar se fixou na janela manchada enquanto esperava que respostas surgissem ali. O trem Q roncou pela espinha da cidade, cada estação um vislumbre fugaz da vida lá em cima: transeuntes apressados, luzes néons dançando nas ruas encharcadas de chuva.
À sua frente estava uma mulher, com o caderno de esboços apoiado sobre os joelhos. O grafite dançava sob seus dedos, manchando a página com precisão urgente. Ela usava camadas — um suéter largo, calça jeans desbotada e botas duras. Um cachecol em tons de outono pendia frouxo ao redor do pescoço. Mechas escurecidas caíam sobre os ombros, ocasionalmente roçando o caderno.
Suas mãos o cativavam. Moviam-se com uma intensidade silenciosa, como se perseguissem algo que ficava fora de alcance. O trem balançava, mas ela permanecia firme, e o tatuagem nunca parava. Seus olhos percorriam as linhas da tatuagem dela, escondida sob a manga — um pássaro em voo, penas desbotadas ainda assim distintas.
Ele olhou para as próprias mãos, cerradas firmemente no colo. Vazias. As dela seguravam um mundo que ele desejava entender. O trem rangeu ao parar. Os passageiros se mexiam e saíam, mas ela permaneceu absorvida em sua arte.
Seu olhar subiu de repente, encontrando o dele pela primeira vez. Olhos verdes, com cílios escuros, o encararam por uma eternidade antes que ela sorrisse suavemente. Uma reconhecida gentil passou entre eles, algo não dito.
O momento foi fugaz. Ela voltou ao seu caderno de desenho, o grafite arranhando o papel com renovado fervor. Leo observava, envolvido e perplexo. Ele sentiu uma estranha atração, uma conexão inexplicável que acelerou seu pulso.
Olhando para o relógio, viu que faltavam quatro minutos até seu ponto de parada. Quatro minutos para decidir se falava ou ficava em silêncio. O ar parecia carregado, cada segundo se estendendo ao infinito. Sua mente acelerou-se, lutando com a súbita onda de emoção. Ele abriu a boca, mas as palavras lhe escaparam.
Seu lápis parou no meio do traço, sentindo sua luta talvez. Ela ergueu o olhar novamente, seus olhos verdes buscando seu rosto. —Você tem uma pergunta —ela afirmou suavemente.
Leo piscou, surpreso. — Eu… sim — gaguejou ele. — O que você está desenhando?
Um pequeno sorriso brincou em seus lábios. "Algo fugaz."
—Como um fantasma? —ele aventurou.
Ela assentiu, virando o caderno de esboços um pouco para revelar uma figura incompleta — um homem solitário em uma plataforma, mãos enterradas nos bolsos, olhos cansados e distantes. Reconhecimento se misturou à inquietação no peito de Leo. Era ele — ou melhor, um eco espectral dele.
Antes que ele pudesse responder, o trem cambaleou de novo, sacudindo-os dois. As luzes piscaram brevemente antes de se estabilizar. Ela fechou o caderno de esboços suavemente e guardou-o debaixo do braço enquanto se levantava.
—Avenida DeKalb —anunciou a voz automática. O ponto de parada dele. Ele se levantou rapidamente, com o coração batendo forte. Eles foram em direção às portas juntos, enquanto a multidão se abria ao seu redor. Quando pisaram na plataforma, ela se virou para ele e estendeu a mão.
"Você é novo aqui", ela disse, com a voz mal audível por cima do barulho da estação. "Sou Wren".
Leo hesitou brevemente antes de pegar sua mão. Era quente e firme, o que o ancorava. — Leo — respondeu ele, com a voz firme apesar do tumulto dentro dele.
Wren sorriu, seu polegar roçando suavemente sua palma. —É um prazer conhecê-lo, Leo.
Ele assentiu, incapaz de formar pensamentos coerentes além do toque dela, o nome dela ecoando em sua mente. Assim rápido como começou, o momento terminou. Ela recuou, soltando a mão dele. As portas se fecharam atrás deles com determinação.
Leo se afastou, cada passo pesado de palavras não ditas. Ele sentiu o olhar dela até que desviou em uma esquina e engoliu a distância entre eles como um oceano. Saindo da estação para o ar fresco da noite, ele enfiou as mãos nos bolsos. A cidade zumbia ao seu redor, indiferente à sua turbulência. Acima, as estrelas se confundiam com a poluição; o céu estava cheio de névoa.
De volta ao seu apartamento, Leo andava de um lado para o outro sem descanso. A voz de Wren ecoava em sua mente. Um fantasma do passado. O que ela queria dizer? Seu olhar caiu sobre uma foto retangular na cabeceira da cama — uma versão mais jovem dele com Samira, e a risada dela parecia preencher o quarto. Ele pegou o quadro, traçando as bordas distraidamente.
Samira sempre tinha sido aquela que mantinha o pé no chão. Ela o alertava para não se envolver demais, para não perseguir fantasmas. Mas este não era apenas qualquer fantasma; era Wren, com seus olhos verdes e sorriso gentil. Leo colocou a foto de lado, sua decisão tomada. Ele precisava de respostas, ou pelo menos uma chance de entender.
Ele pegou o celular e discou o número de Samira sem pensar. Ligou duas vezes antes que ela atendesse, com voz sonolenta. — Leo? O que foi?
—Não —ele disse rapidamente—, não tem nada de errado. É que… eu conheci alguém.
Silêncio no outro lado, então uma risada suave. —Nesta hora? Em uma sexta-feira à noite?
—No trem Q —esclareceu ele—. O nome dela é Wren. Ela estava me desenhando… ou algo como eu. Foi estranho, Samira. Não consigo parar de pensar nela.
A voz de Samira ficou séria. — Leo, tome cuidado. Você sabe como fica quando se fixa em alguém.
—Eu sei —respondeu ele, passando a mão pelo cabelo—. Mas há algo diferente nisso. Preciso encontrá-la de novo.