Ecos da Perda

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O frio do chão de cerâmica penetrava meus sapatos enquanto eu encarava o corpo. Era um conforto frio, aquela imobilidade final. Sempre considerei a morte uma inimiga, mas naquele momento quase acolhi sua libertação. Sabedoria não é sobre velocidade ou inteligência, é sobre entender o inevitável. Dizem que o sangue é mais grosso que a água, e eu acreditava nisso naquela época. Até mesmo a traição, a mais aguda das dores, vem daqueles que um dia amamos, do próprio cerne de nossa humanidade compartilhada. E quando eles se voltam contra nós, quando começam a odiar, eles acabarão por ver quão curta é a vida.

As pessoas que parecem impecáveis, que não parecem ter rachaduras em sua fachada, são frequentemente as que mais sofrem. Eu era uma delas, mascarando minha dor, fingindo estar ‘bem’. Então eu o encontrei. Ele não viu a superfície, a compostura cuidadosamente construída. Ele olhou através da máscara, viu as fraturas e começou gentilmente a consertar a garota quebrada que eu havia escondido. Eu lhe ofereci o mesmo consolo, um porto seguro em sua própria tempestade. Duas peças quebradas, lentamente se tornando inteiras.

Alguém uma vez me disse que, se você puder contar seus verdadeiros amigos com uma mão no final da vida, você tem sorte além da conta. Mesmo enquanto eu olhava para o homem deitado sem vida diante de mim, eu sabia que ele tinha esses amigos, que era querido por alguém. Talvez até por mim, em uma vida passada.

Eu tenho dezessete anos e carrego um peso que parece mais velho que o tempo. Eu havia começado a acreditar que ‘esperança’ era apenas mais uma palavra vazia, jogada para confortar aqueles que nunca conheceram um sofrimento real. Até que me apaixonei por um garoto problemático.