Lar Fragmentado

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Eu acordei com o peso familiar dos braços ao redor de mim. Olhando para cima, vi Jungkook, dormindo, seu rosto em paz.

Ele era tão bonito.

Apenas um dia, e já… eu sentia algo profundo. Um calor que se instalava em meu peito.

Tentei me afastar dele, mas seu aperto se intensificou. Ele estava acordando também.

Seus olhos se abriram, encontrando os meus. Um sorriso se espalhou em seu rosto, puxando-me mais perto.

“Bom dia, meu lindo,” ele murmurou, sua voz um grave e aveludado.

Minhas bochechas ficaram coradas.

“Bom dia, Kookie.”

Ele pressionou um beijo suave contra meus lábios, seu olhar se fixando no meu. E então, a realização me atingiu…

“Oh, meu Deus, a escola!”

Empurrei-me para fora de seus braços, tropeçando para sentar. Uma pontada aguda atravessou minha lombar, e eu caí de volta na cama, gemendo.

“Já são dez, Tae,” Jungkook riu, observando-me.

Bem, acho que a escola estava fora de questão.

Sentei-me, fazendo uma careta. “Calma, meu amor. Eu não te levei longe demais ontem à noite?”

“N-não, eu s-estou bem,” gaguejei, tentando soar casual.

Caminhei mancando até o banheiro, pegando uma escova de dentes extra do estoque de Jungkook e enxaguando a boca rapidamente antes de me virar para o espelho. Tomei um banho rápido.

Quando saí, percebi que não tinha roupa para vestir. Espiei de volta para o quarto.

“Erm… você por acaso tem alguma roupa que eu possa usar?”

Ouvi-o se mexer, então o vi sair da cama, revirando uma gaveta. Caminhou em direção à porta do banheiro, e o vi – ainda nu. O calor subiu em minhas bochechas.

Ele me entregou as roupas, parecendo cansado, e voltou para a cama.

Experimentei as roupas, encontrando tudo muito grande. Uma camiseta pendia até a coxa, a cueca folgada na cintura.

Voltei para o quarto, encontrando Jungkook já dormindo novamente.

Que dorminhoco.

Desci para a cozinha. Era linda, espaçosa, e parecia tão diferente da minha pequena casa.

Comecei a misturar a massa para panquecas de blueberry. Um calor se instalou ao meu redor, e então senti braços envolverem minha cintura por trás. Eu sabia instantaneamente que era Jungkook.

“Cheira bem, Tae,” ele disse, cheirando a massa.

Olhei para ele, corando ao vê--lo apenas de calça de moletom. Ele me virou, e nossos lábios se encontraram em um beijo doce e prolongado.

“Yah! Agora vá esperar pela sua comida,” resmunguei brincalhão, um sorriso puxando meus lábios.

“Ok, ok,” ele disse, levantando as mãos em rendição.

Terminei de fazer as panquecas e servi-as.

Depois que terminamos de comer, lembrei. Eu não tinha ido para casa ontem.

“Jungkook, eu preciso ir para casa, agora.”

Vi um lampejo de decepção em seu rosto.

“Ok, vamos.”

Ele me entregou uma calça que servia melhor, e saímos.

Logo, estávamos em frente à minha pequena casa. Era hora de partir.

Passamos cinco minutos no carro, nos beijando em frente à minha casa.

“Jungkook, eu preciso ir agora,” disse, entre beijos.

Ele interrompeu o beijo, e fez uma careta leve.

“Ok, Tae. Eu te vejo mais tarde.”

Beijei seus lábios novamente.

“Tchau, Kookie.”

Saí do carro, em direção à minha casa.

Quando me aproximei, ouvi meus pais gritando novamente.

De volta à realidade.

Corri para dentro, tentando não ser pego, mas falhei.

“KIM TAEHYUNG, ABAIXE A SUA PORRA AQUI!” meu pai rugiu.

Caminhei rapidamente para a pequena cozinha onde eles estavam brigando. Eles se viraram para mim, seus rostos em fúria.

“ONDE VOCÊ ESTAVA A PORRA DE UM DIA, SEU FILHO DA PUTA?!” meu pai latiu.

“Uhh… eu fui para a casa de um amigo… para trabalhar em um projeto,” gaguejei.

“AH É? E SEU AMIGO ERA O CARA QUE VOCÊ ESTAVA BEIJANDO ANTES DE VOCÊ ENTRAR NA CASA?”

Minha boca secou. Não consegui falar.

Meu pai se aproximou de mim e puxou a gola da minha camisa para baixo.

Olhei desesperadamente para minha mãe, que apenas observava em silêncio.

Meu pai engasgou, vendo as marcas de beijo que Jungkook havia deixado em meu pescoço e peito.

“EU NÃO VOU TER UM FILHO QUE É UM VIADO.”

Algo estalou dentro de mim. Anos de raiva reprimida surgiram à superfície.

“POR QUE VOCÊ SE IMPORTA AGORA, HAH?! APÓS TODOS ESSES ANOS DE VOCÊS IGNORANDO EU QUANDO EU MAIS PRECISAAVA?! AGORA VOCÊ SE IMPORTA QUANDO EU FINALMENTE ESTOU FELIZ?! VOCÊ SABE DE QUE, FODA VOCÊ—”

Uma bofetada alta ecoou pela sala.

Uma lágrima rolou pela minha bochecha enquanto olhava para meu pai incrédulo. Lancei um olhar para minha mãe, cujas próprias lágrimas estavam escorrendo pelo rosto.

“T-tae—”

“Respire fundo,” interrompi, minha voz rouca.

Corri para meu quarto, tranquei a porta e comecei a fazer minhas malas.

Quando terminei, reuni tudo e saí pela janela.

Caminhei pelas ruas, lágrimas escorrendo pelo rosto, me perguntando para onde ir.