# 3 de Maio de 2019
Quatro meses haviam passado. Os dias se estendiam, pesados com um crescente fardo.
~~~~ POV de Anika ~~~~
Dinheiro. Era isso que importava, ela percebeu. Era a fria e dura verdade que seus pais lhe deixaram quando a abandonaram à própria sorte. Eles não se importavam. De modo algum.
Oito meses grávida e nada de notícias dele. O homem que ela chamava de marido – um estuprador disfarçado em uma licença de casamento, que a colocou nessa condição para produzir um herdeiro para seu império. Um programa de reprodução frio e calculado.
Dia após dia, sua frustração aumentava, uma raiva fervilhante que ameaçava transbordar. Ela precisava escapar. Ela escaparia. Se essa criança fosse uma menina, ela a levaria e fugiria. Sua filha seria seu escudo contra a escuridão. Uma menina que ela poderia proteger. Mas se fosse um menino… ela o deixaria aqui. Ela não poderia lhe proporcionar a vida que ele merecia, o futuro que essa gaiola dourada prometia. Ele prosperaria aqui, enquanto ela… ela desapareceria.
“Anika, beba este suco. Ele deixará nosso neto saudável”, disse sua sogra, sua voz açucarada. Uma onda de náusea a invadiu.
“Tudo bem, mãe”, respondeu, forçando um sorriso, e esvaziou o copo de uma só vez.
“Eu fiz muitas compras para nosso neto. Quer ver?” A mulher cantarolou, radiante com uma satisfação disfarçada. Anika assentiu, aplicando o mesmo sorriso falso que reservava para os convidados, a mídia e seus sogros bilionários.
Ela foi conduzida a uma sala maior que a sua. Ela havia se mudado para uma menor meses atrás, impulsionada pela necessidade de se distanciar das memórias que se agarravam às paredes da primeira. Imagens dele – da fera – a assombravam. Ela não podia arriscar que seu filho nascesse na mesma escuridão.
Enquanto ouvia os intermináveis discursos de sua sogra, ela confirmou sua própria certeza arrepiante. Nesse mundo, um menino tinha a chance de ser tudo. Uma menina? Uma menina se perderia.
“Prepare-se, Anika. Hoje é seu chá de bebê”, anunciou sua sogra, tirando-a de seus pensamentos.
“Ji”, respondeu, apática, e permitiu que uma criada a levasse de volta ao seu quarto.
Trinta minutos depois, ela estava coberta com tecidos pesados e caros e carregada com joias de diamantes. O peso pressionava sua pele, sufocando-a. Ela não disse nada, seu silêncio era uma armadura cuidadosamente construída. Esta era a festa de um bilionário. Seu vestido, seus presentes, seu estilo – tudo isso sinalizava seu valor.
Lá embaixo, a função estava organizada em um pavilhão de jardim. Ela estava sentada em um balanço dourado, cercada por mulheres que ofereciam bênçãos e presentes caros.
“A VIDA NÃO PODE SER PIOR”, pensou, amargamente.
As mulheres continuaram seu coro de orações por um filho saudável. Anika exalou, uma desesperança silenciosa se acumulando dentro dela.
“Você comerá apenas esta salada hoje. Eu quero nosso neto saudável”, disse sua sogra, apresentando um prato de batatas cozidas, couve-flor e algo mais que ela não conseguia identificar. “E quero que você recupere a forma, antes de voltar à sua antiga silhueta. Não posso ter uma garota feia desfilando para a sociedade.” Suas palavras foram destinadas a serem uma piada, mas atingiram como estilhaços de vidro.
Anika assentiu em silêncio e começou a mastigar a salada insípida. Ela ansiava por sorvete, algo doce, algo reconfortante. Mas ela não podia falar. Ela sabia que a recompensa seria palestras sobre boa forma e disciplina.
“É UMA GAIOLA DOURADA E EU SOU UMA PRISIONEIRA AQUI, QUE NEM PODE FALAR SEM PERMISSÃO.”
Depois do jantar, todos se dispersaram e Anika finalmente se retirou para seu quarto. A melhor parte desta prisão dourada.
Uma vez dentro, ela trancou a porta. Um sorriso puxou seus lábios. Todas as noites, há semanas, um presente anônimo aparecia. Uma pequena caixa embrulhada. Ela não se preocupou em perguntar de quem era. Não queria estragar a coisa. Ela queria ver o rosto da pessoa que estava enviando. Ela sabia que era uma menina, pelos pequenos detalhes que notava nos presentes.
Animada, ela rasgou o papel de embrulho e levantou a tampa. Sorvete de manteiga de açúcar.
“Awww! Pelo menos eu consigo o que quero.” Ela beijou a caixa e mergulhou sua colher na doçura cremosa.
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OBEROI ENTERPRISES, LONDRES
Um homem estava curvado sobre seu laptop, seu rosto gravado com raiva. A tela brilhava no quarto escuro, iluminando as linhas afiadas de sua mandíbula. Ele estava trabalhando a noite toda e, no entanto, parecia tão fresco como se acabasse de acordar. Nenhuma linha de tensão marcava sua testa, nenhum sinal de fadiga em seus olhos.
Uma batida na porta. Ele mal olhou para cima.
“Diga Julia”, disse, sua voz desprovida de emoção.
“Shivay, quero tornar isso oficial”, disse Julia Roberts, uma das atrizes mais famosas de Londres, sua voz tensa de frustração.
“Não é possível.” Ele voltou para sua tela.
“Mas por quê?” Julia estalou, sua voz aumentando. “Eu estive aquecendo sua cama por um mês, confessando meu amor por você. Você também gostou. O que mudou?”
“Porque eu sou casado.”
“Termine comigo se precisar, mas vamos ser reais. Há muitas atrizes que morreriam por uma chance de aquecer sua cama. Você teve sorte por ter escolhido a mim. Eu não preciso de uma prostituta como você.”
Julia gritou. Mas sua voz foi cortada quando um guarda colocou a mão sobre sua boca e dois homens robustos a arrastaram para fora de seu escritório.
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Heyyy!!