Residência Styles

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A tinta descascada da Residência Styles parecia chorar sob o céu cinzento de abril. Louis Tomlinson, com dezesseis anos, fixava o olhar na casa, um nó se apertando em seu estômago. Mudar para ali não fora sua escolha, não exatamente. Seus pais, desesperados por um novo começo após o colapso dos negócios do pai, haviam conseguido a propriedade por uma bagatela. Os moradores locais sussurravam sobre “A Maldição”, sobre a família Styles, e Louis havia ouvido o suficiente para saber que a casa tinha uma história imersa em tragédia.

O velho Hemmings, da padaria, o havia alertado. “A Residência Styles? Dizem que os pais se enforcaram, e então as crianças… desapareceram. Não foi suicídio, rapaz. Foi algo *mais*. Algo sombrio.” Ele fez uma pausa, seus olhos nublados de memória. “A casa… ela *escolhe* seus habitantes.”

A mãe de Louis havia descartado isso como superstição local, mas Louis sentiu um arrepio de inquietação enquanto o pai destrancava a pesada porta de carvalho. O ar lá dentro era denso, carregado de poeira e o odor de decomposição. A luz do sol lutava para penetrar pelas janelas cobertas de sujeira, projetando longas sombras sobre os móveis ornamentados, porém decadentes.

Ele se lembrava de ter lido sobre a família Styles nos arquivos do jornal local. Sr. e Sra. Styles, encontrados enforcados no carvalho antigo no quintal. Gemma, Harry e a pequena May, presumidos mortos após saltarem das janelas do sótão uma semana depois. A história oficial: crianças consumidas pelo luto. O boato: algo muito mais sinistro. Todos foram encontrados com lírios nas mãos.

Os primeiros dias foram preenchidos com desembalar caixas e limpar. A mãe de Louis, um turbilhão de atividade, tentava alegrar a casa com flores frescas e tecidos vibrantes. O pai, mais pragmático, concentrava-se em consertar o telhado e garantir a segurança da propriedade. Louis, no entanto, sentia-se atraído pelos cantos mais escuros da casa. Ele constantemente sentia como se alguém estivesse o observando. Uma sensação constante de ser vigiado, como se olhos invisíveis o seguissem pelos corredores empoeirados.

Numa tarde, explorando o sótão, encontrou um pequeno locket de prata envelhecida escondido em um baú empoeirado. Dentro, um retrato em miniatura de um garoto com olhos verdes penetrantes e um sorriso melancólico. Ele reconheceu o garoto das fotos antigas do jornal. Harry Styles.

Ele sentiu um puxão estranho, um reconhecimento incomum. O garoto no retrato parecia fitá-lo diretamente, e um arrepio percorreu sua espinha. Não conseguia explicar, mas sabia, com uma certeza que o gelou até os ossos, que a maldição não era sobre fantasmas ou demônios. Era sobre Harry Styles. Uma corrente fria de premonição o invadiu, deixando-o com a sensação de que algo terrível estava prestes a acontecer.

Mais tarde naquela noite, enquanto ajudava a mãe a desembalar uma caixa de livros antigos, encontrou um diário escondido no fundo de um volume encadernado em couro. A capa era gravada com um único lírio, e as páginas estavam preenchidas com uma caligrafia elegante e intrincada. Ele não reconhecia a escrita, mas era um diário de Harry Styles.

“Tenho medo de que esteja começando de novo”, dizia uma das entradas. “As sombras estão ficando mais longas. Posso sentir a presença dela no jardim.” Louis fechou o diário rapidamente, seu coração batendo forte no peito. Esta casa não era apenas assombrada; estava esperando. E Louis estava começando a suspeitar que não estava apenas se mudando *para* uma casa assombrada, mas para uma armadilha. Uma armadha que havia sido preparada séculos atrás. E essa armadilha, ele temia, talvez tivesse sido preparada para ele. Um pressentimento sombrio se instalou em seu peito, como se ele fosse uma peça em um jogo macabro, e o destino estava sendo tecido para ele em meio à poeira e às sombras da Residência Styles.