A Cachoeira e as Chaves

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Acordei com braços fortes envolvendo minha cintura. Virando, vi Harry ainda dormindo, Patches enrolada em sua cabeça. Era a visão mais adorável que se podia imaginar. Peguei meu celular e tirei uma foto rápida, então coloquei-o de lado, voltando a brincar com o cabelo de Harry. Ele abriu os olhos lentamente.

“Por que tem uma maldita gata na minha cabeça?” resmungou, a voz rouca de sono.

“Ela gosta de estar aí,” eu disse, sorrindo.

“Tira a maldita gata,” ele resmungou.

Peguei Patches, colocando-a no chão. Ela me encarou com um olhar arregalado e indignado antes de sair correndo.

“O que você queria me dizer ontem à noite?” perguntei enquanto ele se sentava.

“Eu queria dizer o quanto você é especial, Lou. Há anos, meus pais foram assassinados, e Gemma, May e eu fomos amaldiçoados. Fomos transformados em algo como vampiros. Gemma e eu bebemos sangue humano para sobreviver, mas May bebe sangue animal. Podemos dormir durante o dia e temos poderes – cura, super velocidade – mas não podemos transformar mais ninguém. Os únicos seres que podem nos ver são animais, demônios e… o escolhido.” Ele parou, seu olhar percorrendo meu corpo.

“Lou, eu não vejo cauda ou orelhas de gato em você. Você é o escolhido.”

“O que o escolhido faz?” perguntei, o coração batendo forte.

“Você tem que encontrar doze chaves. As chaves abrem a porta para o nosso passado e quebram a maldição. Eu permanecerei um vampiro, capaz de transformar outros. May e Gemma poderão finalmente ir para o céu.”

“Como eu encontro as chaves?”

“Elas aparecem para você às vezes, e às vezes você recebe pistas.”

“O que você ganha com isso?”

“Eu sei que minhas irmãs estarão seguras,” ele disse, a voz embargada pela emoção.

“Eu vou mostrar a porta. Me siga.” Ele saltou da cama, já se movendo em direção às escadas.

Segui-o para baixo, notando que todos os outros ainda estavam dormindo. Rio, sua pequena coleira e guia já em suas mãos, correu para mim.

“Hazza? Posso levar o Rio?” perguntei.

“Claro,” ele respondeu do outro lado da porta.

Coloquei a coleira no pequeno cão e prendi a guia. Rio disparou pela porta, correndo atrás de Harry, me arrastando atrás dele. Harry diminuiu a velocidade, esperando por mim. Caminhamos, chegando ao prado de ontem. Vi Harry se dirigir à cachoeira.

“Aqui. Coloque isso sobre sua cabeça,” ele disse, me entregando sua camisa.

“Por que eu preciso da sua camisa?” pergunte ousei perguntar, confuso.

Como se lesse minha mente, ele disse: “Precisamos atravessar a cachoeira para chegar à porta. Deixe-me pegar o Rio.”

Entreguei a ele a guia e puxei a camisa sobre minha cabeça. Ela cheirava a chocolate e morango. Espera… morango é *meu* cheiro. Eu atravessei a cachoeira, Harry logo atrás de mim. Virei-me e vi que seu cabelo e torso estavam encharcados, a água grudada em seus músculos. Ele parecia incrivelmente sexy. *Louis, você é tão gay,* minha mente respondeu, inutilmente. Harry me entregou a guia do Rio, e caminhamos por um corredor que levava a uma porta com doze buracos de chave. Mas um se destacava – estava no centro da porta, em formato de coração.

“Harry, as chaves têm significado?” perguntei.

“Sim. Como coragem, medo e inteligência.”

“Uma delas representa amor?”

“Sim,” Harry disse, a voz baixa. “Mas você precisa se apaixonar para encontrar essa chave.”

Eu já estava caindo.