Eu estava diante da velha casa de três andares, trepadeiras agarradas às janelas como dedos de esmeralda. Nós nos mudamos para escapar de meu pai, Mark, e para começar uma nova vida.
“Loubear!” A voz de minha mãe soou do caminhão de mudança.
“Que foi?” Eu respondi, virando-me.
“Você pode cuidar de suas irmãs e irmão enquanto os trabalhadores descarregam as coisas?” Ela gritou.
“Claro,” respondi, um pequeno sorriso puxando meus lábios.
“Lottie, Georgia, Fizzy, Daisy, Phoebe, Ernest, Doris! Venham para o quintal!” Eu gritei, já me dirigindo para a parte de trás da casa.
Eu virei a esquina e parei. O “quintal” não era um quintal; era uma floresta, densa com árvores e sombras. Antes que eu pudesse processar, duas crianças de três anos se agarraram às minhas pernas, rindo. Um coro de vozes pequenas se seguiu.
“Podemos brincar de esconde-esconde?” Daisy perguntou, seus olhos brilhando.
“Claro,” eu disse, tentando desembaraçar Doris e Ernest de meus joelhos. “Eu vou dar a vocês uma vantagem.”
Finalmente, consegui me libertar. “Ok, contem até vinte e nós vamos nos esconder.”
Daisy fechou os olhos e começou a contar, sua voz pequena clara e sincera. “Um… Dois… Três…”
Eu corri em direção às árvores, encontrando um carvalho robusto para me esconder atrás. Depois de alguns minutos, ouvi o som de água corrente e a curiosidade me puxou para frente. Eu segui o som, empurrando os galhos até tropeçar em um prado banhado pelo sol. Um remendo de flores silvestres florescia em tons vibrantes, e eu fui atraído por elas como uma abelha pelo mel. Sentei- me entre elas, entrelaçando os caules, e comecei a criar uma coroa de flores. Quando me aproximava da conclusão, ouvi uma risada. Levantei os olhos, esperando ver uma de minhas irmãs, mas em vez disso, vi uma menina.
Ela tinha cachos castanhos e estava balançando em um balanço amarrado a uma árvore no lado mais distante do prado. Seu rosto estava iluminado de alegria. Terminei rapidamente minha coroa e coloquei-a na cabeça, então caminhei em direção a ela.
“Oi, eu sou Louis,” eu disse, alcançando-a.
Ela parou de balançar, seus olhos se arregalando em choque.
“Você consegue me ver?” ela perguntou, sua voz pequena e hesitante.
“Por que eu não conseguiria?” Eu perguntei, confuso.
“Gemma!” ela gritou, lágrimas brotando em seus olhos.
“Sinto muito,” eu disse, oferecendo a ela a coroa de flores.
Ela parou de chorar, pegando a coroa com as mãos trêmulas.
“Por que você é tão gentil?” ela perguntou, sua voz quase um sussurro.
“Por que eu não seria?” Eu comecei a responder, mas antes que pudesse terminar, fui empurrado contra uma árvore. Uma menina com os mesmos cachos castanhos de Gemma me prendeu ali, sua mão apertada em meu pescoço. Seus olhos, no entanto, não eram os castanhos gentis de Gemma, mas um vermelho chocante e sangrento.
“O que você fez com minha irmã, demônio?” ela sibilou, sua mão apertando minha garganta, cortando meu ar.
Demônio?
Sua mão apertou ainda mais, e manchas pretas dançaram diante de meus olhos. Eu ofeguei por ar. A última coisa que vi foi um menino com cachos e olhos verdes correndo para frente, tentando puxá-la para longe de mim. O mundo nadou em escuridão.