Parte Quatro:
Dia Sete:
Harry passou a noite inteira revivendo a proposta de Louis em sua mente. Uma única noite, em troca de ser deixado em paz. A tentação era uma dor surda, uma promessa de paz de um espinho particularmente irritante. Ele trocaria facilmente uma noite de desconforto por um repouso permanente daquele Louis irritantemente persistente.
Ele caminhou para dentro da Starbucks em uma manhã de domingo tranquila, totalmente despreparado para o que o esperava. Nem sequer havia chegado ao balcão quando uma mão, quente e surpreendentemente forte, agarrou seu braço, puxando-o ligeiramente para fora do curso.
“Oi, cacheado,” Louis disse, sorrindo, seus olhos brilhando com uma familiar e irritante intensidade.
“Ah, veja… se não é o Peter Pan,” Harry gemeu, revirando os olhos. “Você não tem uma vida?”
“Não desde que coloquei os olhos em você,” Louis sussurrou, subindo na ponta dos pés, sua voz um murmúrio baixo. “Então… Harry.” Ele começou, apertando o aperto ligeiramente. “Você tem uma resposta para mim ainda?”
“Eu não sei sobre o que você está falando,” Harry tentou, tentando retomar seu ritmo.
O aperto de Louis se intensificou, recusando-se a deixá-lo partir. “Não seja tolo, princesa. Você sabe exatamente sobre o que estou falando.”
Harry puxou o braço para longe, um lampejo de irritação cruzando seu rosto. “Eu disse, não me toque.”
“Preciso te lembrar?”
Lentamente, deliberadamente, a mão de Louis se aproximou dos jeans de Harry, traçando o contorno de seu volume. Ele manteve seu olhar fixo no de Harry, um desafio em seus olhos.
Um gemido baixo escapou dos lábios de Harry, um som que ele não pretendia fazer. Ele permitiu que Louis agarrasse a plenitude de seus jeans, o contato enviando um arrepio pela espinha.
“Uma noite…” Louis sussurrou, sua voz rouca contra o ouvido de Harry.
Finalmente, Harry se afastou, fingindo irritação. “Não me toque, plebeu.”
“Uau… plebeu!” Louis inclinou a cabeça para trás, uma risada genuína borbulhando de seus lábios. “Uma princesa e um plebeu… soa quente.”
“Você é um idiota,” Harry estalou, virando-se para o balcão, pedindo seu habitual latte de baunilha.
Louis o seguiu, sua presença um peso constante e indesejado.
“Você sabe…” Harry se virou ligeiramente, dirigindo-se a Louis. “Eu deveria pedir uma ordem de restrição contra você.”
Louis sorriu, seus dentes perolados brilhando. “Bem… o que você está esperando então?”
Harry fez uma pausa, estudando o rapaz à sua frente. Ele não podia negar o apelo da atratividade de Louis. Seus olhos azuis pareciam impossivelmente brilhantes, seus braços bronzeados tensos contra o tecido de sua camiseta listrada. Seu cabelo estava perfeitamente estilizado, um quiff bagunçado que desafiava a gravidade. Por que ele tinha que ser tão irritantemente bonito, e ainda assim… tão completamente irritante?
“Harry…” Louis sorriu, notando seu olhar. “Você está me examinando?”
Harry balançou a cabeça, tentando retomar o controle de seus pensamentos. “Não, claro que não!”
“Tem certeza?”
“Por que eu examinaria *você*? Você é irritante e eu não te suporto,” Harry bufou, cruzando os braços.
“Não há nada para se envergonhar,” Louis gargalhou baixinho.
“Latte de baunilha sem gordura!” O barista gritou.
“Eu disse que não estava te examinando! Supere isso!” Harry caminhou em direção ao balcão, recuperando sua bebida.
Louis trotava ao lado dele, observando-o saborear o líquido fumegante. “Então… qual é sua resposta então?”
“Sobre o quê?”
“Minha proposta, bobo.” Louis sorriu, expondo seus dentes novamente.
“É um não.” Harry disse, inclinando a cabeça para o lado. “E sempre será um não.”
“Tudo bem,” Louis deu de ombros, virando-se para ir embora. “Acho que vou ter que tentar mais.”
“Você bem que podia desistir disso, sarquinho!” Harry gritou enquanto Louis alcançava a porta. “Nunca vai acontecer!”
“Veremos.”
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Dia Oito:
O pensamento de Louis na Starbucks não mais causava revolução no estômago de Harry. Tornou-se uma rotina, um elemento previsível em sua vida diária. Ele decidiu jogar com calma, agir o mais indiferente possível. Talvez, se ele não reagisse, Louis perdesse o interesse e finalmente o deixasse em paz.
Louis se aproximou como de costume, sorrindo de orelha a orelha.
“Oi Harold!” Louis gritou alegremente.
“Oi,” Harry respondeu, sua voz fria e plana.
“Então… eu tenho um presente para você hoje.” Louis agarrou o braço de Harry, impedindo-o.
Harry se virou para ele, a mandíbula se contraindo. “Eu não quero um presente de *você*.”
“Ah, é mesmo?” Louis alcançou o bolso, tirando uma pequena caixa de anel.
Os olhos de Harry se arregalaram ao ver isso.
Louis colocou de volta no bolso. “Acho que você não quer, então.”
Harry fez uma pausa, apontando para o bolso. “Isso diz… Gucci?”
“Com certeza.” Louis sorriu. “Eu tenho observado suas escolhas de estilo e cheguei à conclusão de que você só usa Gucci.”
“Você estaria certo.” Harry cruzou os braços, fingindo desinteresse. “Eu nem me importo mesmo… você provavelmente nem conseguiu nada legal.”
“Você nunca vai saber.” Louis começou a se afastar.
Harry hesitou, então correu para alcançá-lo. “Umm… talvez só uma olhadinha?”
“Você quer o presente?”
“Eu um…” Harry gaguejou, sua compostura se quebrando.
“Diga que você quer o presente e ele é seu.” Louis sorriu, seus olhos brilhando.
“Só me dê o presente, Louis!” Harry gritou, sua voz traindo sua impaciência. “Isso é estúpido.”
“Diga por favor.”
“Com licença?”
Harry nunca havia pronunciado a palavra “por favor” antes. A estranheza disso ficou presa em sua garganta.
“Eu disse…” Louis se aproximou, seu rosto a centímetros do de Harry. “Diga por favor, Princesa.”
Harry encarou profundamente os olhos azuis de Louis, traçando a curva de seus lábios. Ele mordeu o lábio inferior, sua respiração prendendo em seu peito.
“Diga por favor…” Louis se inclinou, seus lábios quase tocando os de Harry.
Os lábios de Harry tremeram. “P-por favor…” Ele gaguejou, a palavra um mero sussurro.
“Bom menino.” Louis murmurou, dando um tapinha em seu ombro. “Aqui está seu presente.”
Louis entregou a ele uma caixa de prata Gucci.
Harry a arrancou de sua mão, abrindo-a lentamente.
Dentro, aninhado no veludo, havia um grande anel dourado com um rubi no centro. Harry nunca tinha visto nada tão requintado.
Ele não admitiria isso, nem mesmo para si mesmo.
“É… ok eu acho,” Harry murmurou, acariciando o anel com a ponta dos dedos.
Ele fechou a caixa, entregando-a de volta para Louis.
Louis riu suavemente, empurrando a caixa de volta para Harry. “É seu, cacheado. Eu comprei para você.”
Harry segurou a caixa firmemente em sua mão.
“Umm… legal, eu acho.” Ele deu de ombros, deslizando a caixa no bolso.
“Tem mais de onde isso veio, Harry. Apenas me dê uma noite.”
Um pequeno sorriso puxou os lábios de Harry. Ele não sabia o que dizer, o que fazer. Ele estava completamente, irrevogavelmente confuso.
“Vejo você amanhã, Princesa.” Louis sorriu, acenando adeus enquanto saía da cafeteria.
Assim que Louis se foi, Harry puxou a caixa de anel do bolso, abrindo-a novamente. Ele cuidadosamente removeu o anel e deslizou-o no dedo mindinho da mão esquerda.
“Em que diabos eu me meti?” Harry murmurou para si mesmo, olhando para o rubi brilhante. Ele não pôde deixar de admirar como ele ficava.