“Sai daqui, antes que eu te espanco!” ele cuspiu, o punho encontrando meu rosto e me fazendo rolar até o chão frio de cerâmica.
Hesitei, lágrimas ardendo em meus olhos, mas o som crescente de sua respiração furiosa me congelou. Meus pés se mexeram para me levantar, evitando seu olhar – um único olhar já me derrubaria de novo.
De pé, me preparei para fugir, mas ele agarrou meu cabelo, me jogando para fora da porta. Minhas próprias pernas me levariam; eu não precisava da ajuda dele.
“E fique fora!” ele rugiu, batendo a porta com força. O clique da fechadura ecoou, selando meu destino até que ele sobressaiu.
Caminhei, as pernas me levando em direção à floresta conhecida em toda a cidade. Árvores se elevavam como arranha-céus, envoltas em uma névoa antinatural – o véu de um mágico.
“Não entre naquela floresta, ou você sofrerá”, as palavras do prefeito ecoavam, reforçadas na escola, afixadas em placas. Perigoso.
Mas eu não me importava. Chutei uma pedra para dentro, as mãos enfiadas nos bolsos, caminhando para dentro da escuridão. Folhas secas estalaram sob meus pés. Uma onda fria me varreu, implorando por retirada, mas eu segui em frente. Qualquer coisa era melhor que aquele maldito pai.
Caminhando, eu não sabia para onde estava indo, mas a luz da cidade desapareceu atrás de mim. Engoli em seco, a garganta seca. Não comia uma refeição decente há dias.
Então, um brilho de água – um grande lago cintilante. Corri, me abaixando para beber água com as mãos. A água inundou minha boca, me reanimando. Provavelmente tolo beber água da floresta, mas eu precisava. A corrente era rápida, a água clara o suficiente para parecer segura.
Bebi, engolindo como meu pai bebia cerveja. Água escorreu pelo queixo, e eu estendi a mão para limpá-la, mas minha mão congelou.
*GRRRRRR!*
Minha cabeça virou para a esquerda. Uma criatura parecida com um lobo, enorme, estava a menos de três metros de distância. Dei um passo para trás lentamente, tentando não assustá-lo. Lembrei de ter lido em algum lugar para fingir de morto. Me abaixei, mas uma pedra prendeu meu pé, me jogando no lago. Os braços se agitaram, agarrando o nada.
A água me invadiu, muito rápido. Não era isso que eu queria dizer com fingir de morto. Chutei, tentando subir à superfície, mas a corrente me segurou. A luz diminuiu, bolhas subiram, e a escuridão me engoliu.
******
Meus olhos lutaram para se ajustar ao brilho. Céu? Eu esperava o inferno. Apertei as pálpebras e as abri. Diretamente para o sol. Piscando. Era o sol do céu?
Uma sensação de queimação rasgou meus pulmões. Tosse, cuspindo água, e me sentei.
Tudo voltou: afogamento, morte certa e agora…resuscitado. Sentei, confuso. Tudo estava processando. Uma tosse, e senti que estava bem, exceto pela dor persistente.
Me virei, procurando meu salvador. Nada além do lobo. Era a mesma besta que quase me afogou.
Rastejei para trás, temendo que qualquer som atraísse sua atenção. Fiz contato visual, e o lobo abaixou a cabeça. Ele caminhou mais perto, o coração batendo forte. Eu escapei da morte uma vez, sem uma segunda chance.
“Um, eu vim sem nenhum dano?” Eu me encolhi. Um lobo não entenderia. No entanto, continuei, “Por favor, não me coma, eu tenho gosto de ruim.”
Ajoelhei, implorando por misericórdia, e fechei os olhos, esperando pela morte. Nada. Espiei por entre as pálpebras. O lobo estava encharcado. Uma realização me atingiu. “Você me salvou?”
Impossível. No entanto, o lobo estava diante de mim.
Então, algo inacreditável. O lobo estalou seus ossos, se erguendo sobre duas pernas. Um homem – um deus esculpido em músculos – estava diante de mim. Seus abdominais brilhavam ao sol. Fascinante.
Eu nem percebi que estava olhando até que ele me encarou, a voz profunda e ameaçadora, “O que um mortal como você está fazendo aqui?”
A/N A revelação. Meus bebês. Por favor, votem!